A educação física vista da minha janela. Versão 1.0

A minha janela é um local condicionado por imensas aulas de educação física leccionadas desde 1995 a mais de mil alunos, em mais de dez escolas diferentes, desde o ensino pré-escolar até ao ensino superior, em meios urbanos e rurais, exercendo paralelamente à função de professor, outras oito funções escolares, que pouco têm a ver com o acto de educar fisicamente os alunos.

O que é?

A educação física (EDF) é a educação através do movimento, uma ajuda na preparação para a vida através de movimentos organizados e orientados. Está inserida no Departamento de Expressões dentro das escolas Nacionais. Esse departamento é habitualmente uma área de menor importância pois as escolas estão ainda voltadas  para um saber livresco, centrado no professor, fundamentalmente com o intuito de formar indivíduos a fim de serem professores universitários ou ilustres académicos.

A EDF está dentro do Departamento de Expressões, uma área em muitas escolas negligenciada em vez de estimulada, apesar de muitos de nós sabermos que faz a diferença no mercado de trabalho, que distingue determinados valores e talentos. Talvez uma visita ao site TED para escutar algumas palestras sobre a forma como aprendemos, possa mudar a visão afunilada da educação escolar.

Embora a EDF tenha um forte componente de recreação física, a sua base é a educação. Na sua origem como disciplina, a EDF colocou regras nas práticas de rua. Mas a disciplina hoje tem muitos concorrentes ao nível dos media e do lazer. Estamos perante uma sociedade com muita oferta de actividades, situação que provoca frustração por parte dos jovens na escolha de apenas uma actividade ou duas actividades, dentro dos seus horários demasiado preenchidos. Para ter o efeito recreativo, a EDF teria de ser personalizada a cada caso, pois cada indivíduo tem as suas preferencias e o que diverte, descontrai uns, coloca stress sobre outros alunos. Leiam uma abordagem sobre a Recreação vs. Exercício físico.

Objectivos

Ao longo dos anos a educação física foi sofrendo alterações nos seus conteúdos. As culturas dos povos influenciaram o modelo de educação física em cada civilização, em cada país. Os Programas Nacionais de Educação Física, apresentam para o 3ºciclo, os seguintes objectivos gerais, na perspectiva da melhoria da qualidade de vida, da saúde e do bem-estar:

  • Melhorar a aptidão física elevando as capacidades físicas de modo harmonioso e adequado às necessidades de desenvolvimento do aluno.
  • Promover a aprendizagem dos conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades físicas.
  • Assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno, através da prática de:
    • As actividades físicas desportivas nas suas dimensões técnica, táctica, regulamentar e organizativa.
    • As actividades físicas expressivas (danças), nas suas dimensões técnica, de composição e interpretação.
    • As actividades físicas de exploração da Natureza, nas suas dimensões técnica, organizativa e ecológica.
    • Jogos tradicionais e populares.
  • Promover o gosto pela prática regular das actividades físicas e aprofundar a compreensão da sua importância como factores de saúde e componente da cultura, na dimensão individual e social.
  • Promover a formação de hábitos, atitudes e conhecimentos relativos à interpretação e participação nas estruturas sociais no seio das quais se desenvolvem as actividades físicas, valorizando:
    • A iniciativa e a responsabilidade pessoal, a cooperação e a solidariedade;
    • A ética desportiva;
    • A higiene e a segurança pessoal e colectiva;
    • A consciência cívica na preservação das condições de realização das actividades físicas, em especial a qualidade do ambiente.

No Ensino Secundário, pede-se aos alunos os seguintes objectivos nas áreas obrigatórias:

  • Cooperar com os companheiros para o alcance do objectivo dos Jogos Desportivos Colectivos, realizando com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas, em todas as funções, conforme a posição em cada fase do jogo, aplicando as regras, não só como jogador mas também como árbitro.
  • Compor, realizar e analisar esquemas individuais e em grupo da Ginástica (Acrobática, Solo, Aparelhos ou Rítmica), aplicando os critérios de correcção técnica, expressão e combinação das destrezas, e apreciando os esquemas de acordo com esses critérios.
  • Realizar e analisar provas combinadas do Atletismo (saltos, lançamentos, corridas e marcha) em equipa, cumprindo correctamente as exigências técnicas e do regulamento, não só como praticante mas também como juiz.
  • Apreciar, compor e realizar sequências de elementos técnicos da Dança em coreografias individuais e de grupo, correspondendo aos critérios de expressividade, de acordo com os motivos das composições.

Os objectivos das áreas de opção, são os seguintes:

  • Realizar com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas de Jogos de Raquetas, garantindo a iniciativa e ofensividade em participações individuais e a pares, aplicando as regras não só como jogador mas também como árbitro.
  • Realizar com oportunidade e correcção as acções do domínio de oposição em Jogo formal de Luta ou Judo, utilizando as técnicas de projecção e controlo, com oportunidade e segurança (própria e do opositor) e aplicando as regras, quer como executante quer como árbitro.
  • Utilizar adequadamente os patins, em combinações de deslocamentos e paragens, com equilíbrio e segurança, em composições rítmicas individuais e a pares (Patinagem Artística), cooperando com os companheiros nas acções técnico-tácticas em jogo de Hóquei em Patins, ou em situação de Corrida de Patins.
  • Praticar jogos tradicionais populares de acordo com os padrões culturais característicos.
  • Realizar actividades de exploração da Natureza, aplicando correcta e adequadamente as técnicas específicas, respeitando as regras de organização, participação e especialmente de preservação da qualidade do ambiente.
  • Deslocar-se com segurança no meio aquático, coordenando a respiração com as acções propulsivas específicas das técnicas seleccionadas.

Nem vou discutir estes objectivos mais específicos, porque como sabemos os profissionais desta área, quando nos centramos nos aspectos técnicos das modalidades, necessitamos de tempo de prática para que os alunos repitam de forma consciente e orientada os gestos desportivos, a fim de se tornarem minimamente bem sucedidos (ex: realizar 5 acções correctas em 10 tentativas).

As modalidades que fazem parte dos conteúdos leccionados, são as tradicionais, aquelas mais praticadas e que, as federações respectivas conseguiram incluir nestes programas. Os alunos vão reclamando dos conteúdos e nós vamos verificando o grau de insucesso no desempenho das tarefas, pois o número de repetições é reduzido para que alguma vez sintam algum grau de sucesso nos lançamentos ou nos passes. E como tal, os alunos, devido ao reduzido tempo de exercitação numa tarefa, rapidamente abandonam a técnica e as instrucções transmitidas pelo professor, porque nenhuma técnica aplicada quatro ou cinco vezes permitirá a alguém ser proficiente naquilo que faz. Eu também faria o mesmo na crença de que estavam errados por não conseguirem o seu objectivo.

Como professores, fazemos o nosso melhor para que, alunos cujo único tempo de actividade física é aquele disponibilizado na escola, sejam capazes de passar pela experiência da prática desportiva (ou seja, acabam por realizar a dita recreação física em alguns casos). Sim, porque a grande maioria dos alunos não é fisicamente activo e não compensa os condicionalismos de tempo, espaço, material e climático que a escola lhes coloca, com actividades em casa ou em clubes. Tentamos cumprir as preocupações operacionais nas situações de aprendizagem e de treino:

  1. As actividades devem ser inclusivas.
  2. Proporcionar muito tempo de prática.
  3. Proporcionar desafios com objectivos alcançáveis, mas não demasiado fáceis.
  4. Proporcionar uma carga física “moderada a intensa”.
  5. Proporcionar actividades agradáveis.
  6. Proporcionar actividades variadas em termos motores e de tipo de esforço.
  7. Proporcionar um ambiente que promova cooperação e entreajuda, respeito pelos outros, sentido de responsabilidade, a segurança e o espírito de iniciativa.

Disciplina diferente

A disciplina de EDF não é melhor nem pior do que as outras disciplinas. A partir do momento que está incluida no curriculo, adquire o mesmo estatuto, embora eu coloque sérias dúvidas se deveria ter o mesmo peso nas médias dos alunos do Ensino Secundário quando a formação de base não é a actividade física. Embora a disciplina contribua indirectamente para o melhor rendimento cognitivo dos alunos, para a sua qualidade de vida e equilíbrio que permite obter melhores resultados escolares.

A EDF é uma actividade prática, onde os alunos não estão sentados, não decoram para fazer testes. Aqui, aprende-se fazendo. O professor necessita dar mais enfase às suas características de líder do que às suas características de gestor, pois lideram-se pessoas, gerem-se coisas. A missão controladora na EDF é importante, mas os condicionalismos e as ocorrências durante as actividades são tantas, que não há planificação que valha. O rumo tem de ser constantemente alterado em termos de organização das actividades, as tarefas de motivação dos alunos, de dinâmica de grupos, de feedbacks específicos, são muito mais relevantes do que uma meticulosa preparação antecipada dos conteúdos exactos da aula, dos tempos de exercitação e de repouso, etc. Um dia de mau tempo, um aluno irritado, uma má relação entre dois colegas de um grupo, podem fácilmente destruir o melhor plano de aula. Antes da aula, o pensamento deverá ser estratégico em vez de mecânico e transmissor de conhecimentos. É necessário pensar nos melhores exercicios, na melhor combinação de alunos dos grupos, nas actividades alternativas para o caso de alguns exercícios não resultarem, como dinamizar melhor o grupo passivo e desactivar os indivíduos mais rebeldes, como conversar com os líderes da turma, quais as melhores músicas para a dissociação cognitiva nas tarefas mais difíceis de condição física e repetitivas necessárias para a consolidação de gestos técnicos. Durante a aula, as decisões têm de ser rápidas e eficazes em vez de eficientes. A experimentação tem de ser constante.

Por exigencias do ambiente que se instalou no Ensino Secundário, muitos dos professores de educação física, estão a recorrer a testes escritos para avaliarem o domínio cognitivo da disciplina. Creio até que nos tornamos demasiado teóricos como defesa para a acusação que nos fizeram durante anos (gente sem grandes conhecimentos… tipos do fato de treino… montes de músculos…). Obviamente é uma avaliação puramente teórica e não aplicada na prática. Costumo optar por trabalhos realizados em ambiente de tecnologias da informação e comunicação no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, para integrar os alunos através da criação de grupos de trabalho diversificados, para ocupação aletrnativa nos dias em que o clima não permite realização de aula, para melhorar a capacidade de pesquisa, selecção e utilização da informação mediante condicionalismos de tempo e conteúdos. É apenas uma opção com vantagens e desvantagens, mas extremamente enriquecedora e futurista.

A disciplina de EDF tem o problema do movimento, os alunos não têm cadeiras para se sentarem ou carteiras para lhes limitar os movimentos. O ênfase da disciplina é sobretudo de natureza biológica, embora as exigências cognitivas sejam enormes e os alunos com reconhecido mérito a esse nível tenham dificuldades em decidir o que fazer perante problemas simples de jogo 2×1, ou para dividir um campo em 4 partes iguais, ou para realizar uma classificação individual ou mesmo para organizar no papel uma pequena liga desportiva dentro da turma. Claro que os processos biológicos não podem ser acelerados e as repetições de estímulos de exercício não podem ter a mesma duração das repetições e duração de estímulos cognitivos com vista à memorização. Ao nível do treino, 2 a 3 sessões intensas por semana poderão ser uma boa dose para a maioria dos indivíduos, enquanto que o estudo de uma matéria teórica poderá ter muitas mais repetições de maior duração. Na primeira situação, se eu falhar um estímulo (treino), não será aconselhável (pois o corpo irá ser destruido durante o processo de recuperação e não serão obtidos melhores resultados) efectuar dois treinos consecutivos. Na segunda situação, se eu faltar a uma aula teórica, posso dedicar mais algum tempo ao estudo e recuperar de certa forma o tempo perdido. Assim, não me cansarei nunca de referir a importância da regularidade nas aulas de educação física.

Condicionalismos

As características da EDF, fazem com que os professores da disciplina entrem com alguma naturalidade na formação cívica, no estudo acompanhado ou na área de projecto, que façam substituições aos colegas de outras disciplinas, mas os outros profissionais recusam-se na generalidade a efectuar substituições nas aulas de EDF, mesmo recorrendo a um plano de aula bastante simples. Seja pelo incómodo meteorológico ou pelo conforto, eu tenho a certeza que tem muito a ver com a tal relação entre liderança e gestão. O sucesso de uma aula de EDF reside menos no planeamento meticuloso e muito mais na dinâmica e acções durante a aula.

As limitações da disciplina de EDF manifestam-se:

  • aptidão física dos alunos
  • cultura desportiva dos alunos
  • dimensão das turmas
  • condições materiais
  • instalações
  • meteorologia
  • sono e alimentação dos alunos
  • género e características comportamentais dos alunos

Benefícios

Os benefícios da actividade física (a qual, quando passa a regular, tratamos por exercício físico por respeitar os princípios do treino), têm essencialmente a ver com a melhoria da qualidade de vida de um indivíduo, o aumento do seu potencial físico e psicológico, da sua produtividade, que depois se traduzem não no prolongar da juventude ou da vida, mas acima de tudo no melhor aproveitamento dos dias de vida.

Os benefícios mais evidentes são ao nível da funcionalidade física, melhoria da força, resistencia e flexibilidade, melhoria da eficiência cardiopulmonar, melhoria da composição corporal (diminuição da percentagem de gordura), redução de riscos de traumatismos musculares e esquléticos pelas melhorias funcionais do corpo, que se torna capaz de melhor se adaptar e resistir aos desafios ambientais.

A melhoria da postura e as alterações estéticas que advêm das alterações funcionais e melhoria da performance, são também, um benefício muito procurado por todos os que mantêm um programa de exercício físico.

Ao nível psicológico, a EDF pode contribuir para melhorar o humor, redução do stress e da capacidade de lidar com o stress, melhoria da auto-estima, orgulho por alcançar objectivos físicos, melhoria da satisfação consigo próprio, melhoria da auto-imagem, aumento das sensações de energia, aumento da confiança nas capacidades físicas e um decréscimo dos sintomas associados com a depressão, são apenas alguns dos benefícios que o exercício físico poderá proporcionar ao nível mental.

No que diz respeito às relações interpessoais, a disciplina de EDF tem os conteúdos ideais para melhorar as relações entre os alunos, para criar grupos capazes de alcançar objectivos, coordenando os seus esforços de acordo com as limitações e desafios que se vão colocando nos jogos desportivos colectivos.  A interacção com diferentes tipos de pessoas, vai ensinando os alunos a lidar com aspectos que no futuro estarão patentes nos seus empregos, nos projectos de trabalho que certamente irão ter pela frente. De resto, é cada vez mais comum, utilizar a actividade física, os desafios físicos para trabalhar determinadas competências nas empresas. Expressões como outdoor training, ou coaching, são cada vez mais comuns associadas com a actividade física.

Para obter os beneficios temos de respeitar os principios do treino. Se não obrigarmos o nosso corpo a fazer algo ao qual não está habituado, ele não terá nenhuma razão para modificar as suas estruturas (ossos, músculos, tendões…) e os seus sistemas de alimentação (respiração, circulação, disgestão…). Mais uma repetição, ou realizar as mesmas repetições em menos tempo, são esforços que temos de fazer se queremos que o corpo seja mais forte, mais resistente e mais flexível para lhe darmos outra utilidade que não seja apenas estar sentado. Custa, é verdade. E a tolerancia ao esforço de cada um implica objectivos distintos para pessoas distintas, mas o princípio é o mesmo: exigir um pouquinho mais do que o habitual ao nosso corpo. Se houver apenas uma aula por semana e faltarmos uma vez por mês, os resultados não serão muito afectados, mas faltar uma vez a cada duas semanas começa a comprometer os resultados.

Avaliação

Avaliação em EDF, tem uma forte componente subjectiva, a qual vem nos últimosanos sendo apagada por exigências em ser o mais específico possível, chegando em alguns casos, a ter avaliações práticas em que o aluno dispoe de 10 tentativas num lançamento (se acerta 5 tem a nota média, se acerta 10 tem a nota máxima). Isto torna o ensino extremamente injusto para os alunos e prejudica imensa gente. No entanto a pressão tem chegado por parte dos defensores da minoria de alunos que apenas foram estimulados do ponto de vista cognitivo e que chegam à sua adolescência com imensos problemas motores. No calor das médias esquecemo-nos dos benefícios e do valor da disciplina de EDF. No meu entender, a melhor e mais justa forma de avaliação é contínua e exige que o professor coloque uma nota do aluno por cada aula realizada, deixando um período de testes práticos formais para retirar alguma dúvida existente. Assim, sem que os alunos saibam, vai-se definindo a sua avaliação de uma forma mais justa, não estando dependente de testes, realizados num dia bom ou mau, pois como sabemos a disciplina tem forte componente biológica e no caso dos desportos colectivos, também se reflecte a componente social (se o comanheiro é bom, facilita, se é mau, complica). Como professores, nunca agradaremos a todos e nem deveremos fazê-lo, sob pena de não agradar a ninguém. Habitualmente dividida em 3 domínios, saber-fazer, saber-estar e domínio cognitivo, a avaliação dos alunos está bastante dependente dos estímulos recebidos em anos anteriores e sobretudo da condição física que vão adquirindo e que condiciona a realização de todos os gestos técnicos. O aluno que não consegue fazer um certo número de flexões de braços, dificilmente poderá ou deverá ser colocado em tarefas para realizar a posição facial invertida. Um aluno que não corra regularmente nas aulas de forma contínua durante alguns minutos, não deverá realizar uma prova de corta-mato. Alguém sem força nos braços não pode servir no voleibol. A condição física é a base para a realização de muitas tarefas e protege-nos do risco de lesão. Outra questão importante é a da repetição. Recordo a modalidade de natação, extremamente técnica e onde a monotonia se pode instalar facilmente, mas onde a repetição dos movimentos é imperiosa para melhorar, para deslizar, para nadar. Ocorre o mesmo em todas as modalidades. Se ninguém souber realizar um passe por cima da cabeça a duas mãos no voleibol com algum acerto, dificilmente poderemos ter outro aluno a realizar um remate. Se já dominamos a bola de futebol, só depois podemos passar a exercícios com a bola e um companheiro para exercitar o passe que é a forma de comunicação interpessoal no futebol. Isso exije repetição, isso leva tempo, isso necessita de tempo de prática e pouco tempo de espera em filas. Na ansia de transmitirmos muitos conteúdos, ou melhor, para fazer os alunos passarem por muitas experiências, idealizamos muitos exercícios condicionados por apenas 2 tabelas ou 1 baliza e rapidamente confirmamos que as filas são demasiado grandes e apenas permitem uma repetição a cada 2 ou 3 minutos, indo contra princípios de treino e de aprendizagem técnica.

Na EDF temos de passar rapidamente da teoria à prática, do ideal ao real, utilizando imediatamente aquilo que foi aprendido. Se utilizarmos o que aprendemos no dia-a-dia, iremos compreender melhor a condição física e as actividades desportivas. Enquanto que, em muitas disciplinas, a maioria dos conteúdos só mais tarde veremos a sua aplicação, os princípios do treino, a condição física, a organização de pessoas no espaço e outros conteúdos da nossa disciplina, podem ser imediatamente utilizados. Um bom aluno na disciplina de educação física, chega sempre a horas, cumpre as indicações do professor, empenha-se nas actividades, colabora com os colegas, respeita os outros e procura melhorar a sua condição física e desempenho técnico. Quando assim é, progride e evolui. Vejam o que pode ser uma definição da  pessoa fisicamente educada.

Esta é apenas uma reflexão da educação através do movimento que ocorre na actual escola. Os objectivos, os seus conteúdos, as diferenças em relação a outras disciplinas, fazem com que a educação física esteja suijeita a uma série de condicionalismos que por uma lado a enriquecem bastante e por outro tornam complicada a tarefa de avaliar os alunos. Mas restam sempre os benefícios a médio prazo, mas sobretudo a criação de hábitos para um futuro estilo de vida mais equilibrado dos alunos.

A actividade física, pelas suas características, pelas suas ferramentas, tem uma importante contribuição a dar à formação dos alunos. Quer seja proporcionada nas escolas, nos clubes ou nos ginásios, apresenta benefícios educativos pela constante adaptação à mudança, pela tomada de decisão melhorada, pela resolução rápida de problemas. Melhora os relacionamentos entre as pessoas, ensinando os jovens a serem tolerantes, firmes, líderes de acordo com as situações. Ao nível da empregabilidade, é sabido que a inovação, criatividade, capacidade de liderança e capacidade de resposta sob pressão, são competencias bastante procuradas pelas empresas.

A educação física possui um elevado valor intrínseco independentemente da sua contribuição para uma média final de curso. E… É tão evidente neste mundo em constante mudança!

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