O valor do nosso corpo

O nosso corpo é a nossa casa, mas não é apenas um objecto. Tem vida e está em constante mutação. Pode ser uma ferramenta que necessita estar equilibrada para que a nossa capacidade de produção esteja sempre a 100%. Para isso deve ser tratado como algo especial, com exigência e gratidão.

Muitos colegas, profissionais da actividade física, entristecem-me por não acreditarem convictamente na relação do corpo com a saúde. É pena constatar a sua relação com a sua própria profissão, a relação com o seu próprio corpo em degradação, a forma como deixam de transmitir princípios de treino e a forma como se inibem de falar de saúde, numa sociedade em que…

o corpo dos 20 aos 30 é apenas uma imagem mais ou menos camuflada por roupas e pinturas, no qual as pessoas vivem e que aguenta todo o tipo de maus tratos pela sua juventude e pela abundante capacidade regeneradora que ainda possui;

dos 30 aos 40 passa a ser mais camuflado ainda, e inicia-se como um meio para produzir, para facturar, para trabalhar, iniciando-se a percepção da sua utilidade funcional, passa a ser um meio para conseguir certas coisas, inicia-se a tentativa de recuperar tudo o que perdemos dele e algumas pessoas passam a viver para isso, gastando grande parte do tempo com o seu cuidado, é nesta altura que começam os desportos de fim-de-semana as preparações sazonais para a praia;

dos 40 aos 50, assume-se definitivamente que o corpo tem uma função, vivemos com ele, necessitamos dele, faz-nos falta para desfrutar ao máximo da vida, pára-se de fumar nesta idade, iniciam-se as primeiras alterações da alimentação, recordamos os exageros, o abuso e a falta de equilíbrio que tivemos no seu tratamento, procura-se prolongar a juventude, preocupamo-nos com a saúde e todo o tipo de índices (pressão arterial, peso, perfil sanguíneo…);

dos 50 em diante, já só queremos estar sem dor e viver um dia-a-dia de qualidade, percebendo que, afinal não fazia sentido trabalhar tanto destruindo o corpo para tentar desfrutar do dinheiro que hipoteticamente conseguimos na juventude para na idade de reforma não podermos desfrutar dele.

Este corpo único que temos, não pode ser tratado como um objecto sem vida que cobrimos de roupas, que limpamos com os produtos anunciados na tv, camuflado com as pinturas cada vez mais densas (utilizadas por mulheres e homens também), esculpido (como se isso fosse possível), exibido, escondido, enfeitado… E de vez em quando, tomamos consciência de que está vivo quando têm fome, dor, calor, frio…

O corpo existe e não devemos negá-lo. Os corpos são diferentes. Cada um tem seu potencial. Devemos ter consciência disso. O primeiro passo para ter um corpo belo, é aceitar todos os seus pontos fortes e fracos. O passo seguinte é explorar todo o seu potencial controlando as suas fraquezas com as ferramentas de que dispomos para que os outros não as percebam como tal.

O sucesso de um corpo que permanece produtivo, ao nosso serviço, com vida própria, que transpira energia e vitalidade qualquer que seja o seu perfil estético, está no equilíbrio, na procura do melhor programa de treino, no estilo de vida mais adequado para as nossas necessidades. Não reside (pelo menos a longo prazo), no culto excessivo do físico (ninguém necessita mais de 3h semanais de exercício físico), numa vida dedicada ao corpo. O sono, a alimentação, a atitude perante a vida e a escolha de um tipo de movimento que o estimule, que lhe aumente o potencial ou simplesmente mantenha a sua funcionalidade.

3 Replies to “O valor do nosso corpo”

  1. Mais um artigo muito bom. É verdade que o nosso corpo é tudo, como é complicado fazer algo, quando se tem uma dor de costas, ou outra coisa qualquer, parece que dependemos de todos… por isso temos que cuidar do nosso corpo e acima de tudo respeitar o mesmo, o que nem sempre acontece. Desporto sim, mas com cuidado e responsabilidade.

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