Paulo Sena e… Gomes

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Paulo Sena ao lado de Fernando Gomes (um dos melhores jogadores do mundo nos anos 80).

Esta foto tardou 40 anos a tirar. Quando andava na escola primária, todos queriam ser o número 9, sim o nove, o 10 era do Oliveira que também gostávamos, mas o Gomes era o grande goleador que, nestes 40 anos que me recordo de ver futebol com regularidade, nunca vi ninguém igual. Havia o Néné que era o seu rival, adorei ver o Cascavel, o Jardel, o Slavkov (jogou no GD Chaves), o Van Basten, o Hugo Sanchez, o Ronaldo Fenómeno, o Falcão, Jackson, Messi e Ronaldo que ainda jogam, ou um dos posters do meu quarto de adolescente: Gary Lineker. Mas o mais tarde Fernando Gomes era o craque que marcava golos de todas as maneiras e feitios.  No tempo em que ninguém saia para o estrangeiro, o homem faz uma viagem cansativa e estreia-se com 5 golos pelo Gijón . Eu que frequentava o mini-basquetebol no Futebol Clube do Porto (tinha 9-10 anos de idade) via o Gomes nos treinos (sim, porque eram à porta aberta sob pressão ou aplauso) e adorava. Fiquei triste ver a sua carreira terminar no Sporting Clube de Portugal a marcar golos de bicicleta, pouco antes de o Ivic o colocar a jogar atrás dos avançados (vejam lá a qualidade de passe do menino) e de mais tarde o ter impedido de conquistar mais troféus. A sua estreia foi aos 17 anos e marcou 2 golos (eu tinha 4 anos e obviamente nada recordo :)). Mas recordo que não era titular da seleção, o bi-bota de ouro (que raiva me dava isso!). Incrível o quanto o Futebol Clube do Porto e as gentes do norte eram discriminadas naquela fase (Pedroto e Pinto da Costa farão a mudança de atitude). Só entende quem viveu esses tempos. Imaginam o Ronaldo constantemente no banco da seleção? Bom! Mas como os meus pais não tinham máquina fotográfica, a foto foi-se adiando, embora eu visse muitos treinos e raramente falhasse um jogo (não dava nada na TV e se queriam ver um Porto – Benfica iam 2h antes para as Antes onde estavam mais de 80mil dentro do estádio e outros milhares cá fora, escutando o relato, sem repetições de jogadas, à espera da história que contavam os que assistiram ao vivo), fiquei-me pelos autógrafos. Finalmente agora tenho a foto e voltei a lembrar as emoções sentidas, motivadas por este grande artista.

Em tempos bem diferentes em termos de condições, exigência física e mental (hoje os estádios portugueses levam metade das pessoas e raramente enchem) ainda criou um palmarés bonito:

  • 2 Botas de Ouro (daí a alcunha de “bibota”)
  • 6 “Bolas de Prata”
  • 1 Taça dos Campeões Europeus
  • 1 Taça Intercontinental
  • 1 Supertaça Europeia
  • 5 Campeonatos Nacionais
  • 3 Taças de Portugal
  • 2 Supertaças

Muito havia para contar :)…

Dos lameiros aos campos de neve (era sempre a empurrar a bola para dentro):

Aqui fica o resumo da história do ídolo (contada por ele):