Teóricos?

Ainda não percebi porque é que na maioria dos mestrados, pós graduações e doutoramentos na área do exercício se obrigam os alunos a estar sentados numa cadeira mais de 80% do tempo do curso. Não é uma contradição?! Será que o “terreno” de atuação do profissional de atividade física é um laboratório?

Eu achava que uma das missões da universidade era pensar nos problemas da comunidade, investigar e dar pistas, soluções para problemas do mundo real.

Será que o mundo real consegue preparar 50 refeições ao domingo para o resto da semana? Será que o mundo real dorme 8h por dia todos os dias e tem 2h por dia para treinar? Quantos treinadores têm 4 anos (macrociclo) para desenvolver índices físicos num indivíduo, criando dinâmicas de estímulos complexos? (Tão complexos que nem eles sabem porquê).

Inovar é encontrar soluções para problemas, não é criar mais problemas. Inovar é encontrar diferentes aplicações para uma tecnologia existente, não é ignorar essa tecnologia.

Ajudar pessoas com algo útil ou divertido, é uma coisa, mas criar complexidade para justificar ignorância é completamente diferente. Criar ilusão de que estamos muito avançados no conhecimento utilizando nomes pomposos, não transforma a informação em conhecimento. Vivemos nos últimos 10 anos um conjunto de ilusões: o número de sócios dos ginásios não aumentou, a prática regular de atividade física não aumentou, a obesidade não diminuiu, mas a formação média e superior dos instrutores, treinadores e personal trainers aumentou. Haverá uma correlação? Espero bem que não.

O Dr. Actina e Miosina sabe tudo da célula e da mitocôndria, mas não consegue pôr ninguém a treinar. Necessitarão os treinadores mais horas de voo? Mais horas a treinar pessoas e a refletir sobre esse acto e melhorar esses processos? Tal como os pilotos necessitam mais horas de voo, também necessitamos horas de treino.

Posso chamar segundas bolas aos ressaltos, transição rápida ao contra-ataque, ADN da equipa a algo que nem sei bem a que se referem alguns treinadores, posso esconder-me e treinar porta fechada, posso justificar em palavras a diminuição de golos na marcação de livres à entrada da área, posso chamar bloco alto ou baixo, posso falar em treino funcional, mas a realidade continua a mesma, posso mudar a linguagem mas os resultados não mudam. Independentemente de tudo isto as LEIS DA FÍSICA continuam a atuar sobre nós, a ANATOMIA continua sem alterar a inervação e funções musculares, a APRENDIZAGEM MOTORA não pode ser ignorada quando achamos que fazer agachamentos em cima de uma fitball com o dedo no nariz, melhora o “faro de golo” do pseudo-goleador que continua a marcar menos de dois dígitos de golos por época.

Vendemos atos humanos, logo, o processo de interação entre as pessoas é provavelmente a parte mais importante do processo de treino.

Treinamos PESSOAS!

Bons treinos!