A melhor prescrição de exercício do mundo, está a falhar.

Se a solução para o sedentarismo estivesse na prescrição de exercício, há muito que teríamos resolvido o abandono precoce nos programas de atividade física e nos negócios de personal training e ginásios. Da mesma forma, com um bom livro de receitas, todos faríamos petiscos fantásticos com meia dúzia de ingredientes.

Nos últimos 20 anos, tivemos o foco na prescrição, na receita, julgando que havia combinações mágicas de exercícios, séries e repetições, mas nada conseguimos em relação à regularidade de treinos das pessoas. A frequência média semanal nos ginásios não é deliciosa. Mas já alguém usou essa métrica?

Incentivar uma prática regular em casa, na rua, no clube ou no ginásio, passa sempre por soluções simples: caminhar, correr, subir escadas, flexões de braços, agachamentos, com progressões adequadas ao nível de cada um e uma técnica que respeite as Leis da Física e a anatomia. E mesmo depois, para obter melhores resultados, são de novo coisas simples muito bem feitas com emoção.

Fazer 5 minutos por dia, ser regular, com ajuda de um amigo, uma aplicação de telemóvel, um monitor de atividade física, entrar para um grupo de pessoas que já se exercita regularmente, são formas simples de agir regularmente.

Nós profissionais, podemos procurar saber quais as estratégias que as pessoas que passaram de sedentárias a incluir exercício regular, fizeram para continuar durante uma, duas ou três décadas. Isso não vamos conseguir no laboratório.

Nunca tivemos tantos estudos, tanta informação, tanta partilha, mas sem correspondência no mundo real com incremento regular da de atividade física a longo prazo.

Em 25 anos com profissional de educação física a dar ênfase à condição física e saúde nas minhas aulas, cada vez recebo alunos com menos aptidão física. Há muito trabalho a fazer!

Os desejos da passagem de ano

A passagem de ano é um motivo de festa. Para os que vivem no hemisfério sul é altura de férias grandes, de mudança de temporada desportiva, de… Verão! É mesmo algo muito marcante.
Para nós que iniciamos a temporada de trabalho em setembro, ou a temporada desportiva em julho/agosto, pode ser um momento de reflexão, de reformulação, de renovar energias.

Se recuarmos 5 ou 10 anos, todos tivemos afirmações do estilo:
Se… conseguir XXXX serei feliz!
Se… alcançar XXXX serei feliz!
Se… tiver XXXX serei feliz!
Se… fizer XXXX serei feliz!
Se…

Muitos dos XXXX foram alcançados. Ora pensa lá… Mas… Somos mais felizes por isso? Aprendemos algo? Ou apenas nos destruímos?

Ou simplesmente corremos atrás do próximo XXXX por sentirmos um vazio ou por estarmos perdidos? Ou será que não sabemos apreciar o que temos e o que somos?

Agora estamos na época do ano das afirmações: Se conseguir XXXX vou ser feliz!

Mas… a nossa existência é sermos felizes por simplesmente estarmos vivos. Somos uns sortudos!

Claro que queremos desfrutar da nossa existência na sua plenitude, formulamos desafios para andarmos mais excitados no dia a dia (porque temos as necessidades básicas asseguradas), porque queremos evitar depressões, porque achamos que correr atrás disso nos trará felicidade, mas… Vamos de novo indexar a felicidade a este modelo? Resulta?

Será apenas mais uma história que contamos a nós próprios para nos convencermos do valor que isso terá para uma vida mais feliz?

Será melhor termos o foco no caminho? Nas AÇÕES que eventualmente nos levarão a um lugar que imaginamos…

Aquilo que geralmente fazemos, é ter o foco no resultado e nunca apreciamos o caminho. Sem gostar do caminho, sem apreciar as acções que nos levam ao tal objetivo, fica muito dura a nossa existência. E quem criou essa dureza fomos nós.

Pensa nisso!