Psicologia do Desporto, PNL, Coaching e Hipnose

O prazer surge na fronteira entre o aborrecimento e a ansiedade, quando os desafios estão bem equilibrados com a capacidade de agir de alguém. – Mihaly Csikszentmihalyi

A Psicologia do Desporto: uma área de crescente importância. 

Desde muito cedo o desporto foi utilizado como forma de educar as pessoas. Para Fitz (1897) a prática desportiva (jogar) era um meio de se preparar para a vida, por promover a capacidade de decisão, habilidade de perceber as condições corretamente e a habilidade de reagir rapidamente a um ambiente mutável.

Pessoas e factos marcantes 

Em 1898, Norman Triplett realiza um estudo com ciclistas onde conclui que os corredores que competiam contra outros, obtinham melhores resultados.

Edward Scripture (1864-1945), um psicólogo da Yale University, estuda o tempo de reação dos corredores.

Em 1920 Carl Diem cria o primeiro laboratório de psicologia do desporto na Alemanha.

Em 1925 Coleman Griffith da University of Illinois cria também um laboratório dedicado à psicologia do desporto e mais tarde escreve dois livros marcantes: Psychology of Athletics (1928) e Psychology of Coaching (1926).

Em 1938, Coleman Griffith começa a trabalhar como consultor nos Chicago Cubs, tornando-se um dos primeiros psicólogos desportivos a trabalhar no desporto profissional.

Nos anos 40, em Portugal, já o Instituto Nacional de Educação Física incluía cadeiras de psicologia aplicada ao desporto nos seus cursos. Aníbal Costa, Alves Vieira, Noronha Feio e António Paula Brito foram algumas das primeiras referencias da área em Portugal.

Em 1947, Tim Gallwey um jogador da equipa de Ténis da Harvard University, publica o livro The Inner Game of Tennis, revolucionário e surpreendente que depois extrapolou os seus conteúdos até à área empresarial. No documento, o autor partilha como começou a explorar formas de focar a mente do jogador na observação direta e sem julgamento no corpo, na bola e raquete, de uma forma que dava relevo à aprendizagem, à performance e ao prazer do processo. Esta abordagem de tomada de consciência permitia que os jogadores amadores se desenvolvessem fisica e instintivamente sem muitas instruções técnicas específicas. Cada jogo compõe-se de duas partes: um jogo exterior e um jogo interior. O primeiro é jogado contra um adversário para superar obstáculos externos e atingir um objetivo. O jogo interior desenrola-se na mente do jogador contra obstáculos como falta de concentração, nervosismo, ausência de confiança, autocondenação, tudo hábitos que impedem um bom desempenho.

Em 1965 foi criada na europa a International Society of Sport Psychology (ISSP).

Em 1966, Bruce Ogilvie e Thomas Tutko, escreveram Problem Athletes and How to Handle Them. Ogilvie estudou mais de 250 desportistas de alto nível nos anos 70.

Em 1967 funda-se a North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity (NASPSPA).

Em 1979 o Journal of Sport Psychology começa a publicar as diversas investigações realizadas nesta área de estudo.

Nos anos 80, os artigos de Rainer Martens ajudaram a promover a psicologia do desporto. O professor da University of Illinois havia criado a famosa editora Human Kinetics em 1974 por falta de uma editora que publicasse as atas da conferencia da NASPSPA em 1973.

Em 1987 fundava-se a divisão 47 da American Psychologycal Association – Sport & Exercise Psychology.

Como mente e corpo não existem por separado e interagem entre si, o estudo dos comportamentos humanos em ambiente desportivo tem vindo a ser um fenómeno cada vez mais estudado. A incorporação da psicologia do desporto na década dos 80, foi talvez um dos elementos mais destacáveis do recente panorama investigador (Singer, Hausenblas y Janelle, 2001).

Definição

A psicologia do desporto aplicada (American Psychological Association Division 47 [APA], 2014) é o estudo e aplicação dos princípios psicológicos à performance humana para ajudar os atletas a obterem uma performance consistente na faixa superior das suas capacidades e para desfrutar de forma plena do processo de performance desportiva. Os psicólogos aplicados são treinados e especializados para participarem numa ampla gama de atividades, incluindo: a identificação, desenvolvimento e execução do conhecimento mental e emocional, dos skills e habilidades requeridas para a excelência nos domínios atléticos; a compreensão, diagnostico e prevenção dos inibidores psicológicos, cognitivos, emocionais, comportamentais e psicofisiológicos para uma performance excelente; e a melhoria dos contextos atléticos para facilitar um desenvolvimento mais eficiente, uma execução consistente e criar experiencias positivas nos atletas.

Para Dosil (2004, p.13) a psicologia da atividade física e do desporto é uma ciência que estuda o comportamento humano no contexto da atividade física e desportiva, e como disciplina das ciências da atividade física e do desporto, guarda uma relação estreita com todas as que se enquadram nesse âmbito, aportando os conhecimentos psicológicos e desta forma, completando e enriquecendo as contribuições próprias de outras ciências como a medicina, a sociologia ou o direito. É portanto uma psicologia aplicada. Assim, Weinberg e Gould (2011) resumem a psicologia do desporto e do exercício físico como um estudo científico de pessoas e seus comportamentos em atividades físicas e desportivas.

A intervenção da psicologia no desporto

Como não existem muitas licenciaturas em psicologia do desporto em todo o mundo, pode ser difícil determinar qual a melhor combinação de formação, treino e experiência que qualificam o psicólogo desportivo. No entanto, a Divisão 47 da APA sugere que os psicólogos do desporto sejam licenciados em psicologia com experiência na aplicação dos princípios psicológicos nos cenários desportivos.

O psicólogo do desporto normalmente faz parte de uma equipa de trabalho e pode especializar-se numa modalidade desportiva, sendo uma atividade desafiante e estimulante. Mas o trabalho de equipa cria enormes desafios pelos condicionalismos impostos pelos líderes das equipas, sobretudo nos desportos coletivos. É por isso uma tarefa de trabalho para indivíduos que gostem de trabalhar em equipa. Requer boa formação, muito treino e experiência, bem como a criação de uma forte rede social no desporto onde intervém, porque as oportunidades para licenciados e incluso mestres, são muito limitadas.

Para a intervenção do psicólogo desportivo ser eficaz com os desportistas, existem alguns pressupostos:

  • que os atletas gostem dele como pessoa
  • que não seja visto como dominador
  • seja flexível na sua ação
  • tenha treino como terapeuta
  • tenha experiência
  • que se enquadre na modalidade, na situação competitiva
  • mostre sensibilidade para as necessidades individuais dos atletas
  • não imponha metodologias iguais para todos
  • contacte os atletas com alguma frequência e encontre tempo para situações de 1 para 1
  • faça poucos discursos teóricos
  • evite aplicar questionários e fichas antes das competições e numa fase inicial de conhecimento mútuo
  • evite ser demasiado observador/controlador dos atletas
  • evite timings de intervenção inadequados (por exemplo próximo de eventos importantes) sem conhecer os atletas previamente
  • disponibilize tempo suficiente para dar feedbacks.

A psicologia do desporto continuará a ser uma área de intervenção polémica pela sua inegável importância, pela sua fraca imagem perante o público em geral e perante os desportistas em particular que ainda veem o psicólogo do desporto como alguém a quem recorrer quando têm problemas em vez de o verem como um técnico que ajuda a melhorar o rendimento humano. Se verificarmos a evolução desta ciência, podemos confirmar que houve nestes cem anos muito foco no problema e esta abordagem criou a imagem da psicologia do desporto. Acresce o facto de muitos psicólogos não se terem integrado adequadamente no universo desportivo e terem uma abordagem muito clínica das situações. Mas alguns profissionais estão a mudar tudo isto no terreno.

A psicologia e outras tecnologias de intervenção no desporto

Programação Neurolinguística – PNL

Supostamente a Psicologia e a PNL têm abordagens comuns e procuram modelar os melhores treinadores e professores, registando os princípios psicológicos que os desportistas de elite utilizam, para posteriormente passarem estas estruturas mentais aos novos professores e treinadores. No entanto, a psicologia é considerada uma ciência, enquanto a PNL, embora popular continua a causar controvérsia. A inexistencia de investigações imparciais e independentes fazem com que a PNL não seja admitida pela comunidade científica mais inflexível. No entanto,  continua a ser uma ferramenta de intervenção muito útil, bastante utilizada mesmo quando se diz o contrário, porque está focada na modelagem de comportamentos e na linguagem como agente de mudança. Aliás, vários estudos académicos têm por base algumas das chamadas pressuposições da PNL e parte dos procedimentos da psicologia não têm provado ser assim tão eficazes. Talvez o grande erro da NLP seja a afirmação da rapidez e poder dos seus processos terapêuticos. Naturalmente a comunidade científica não pode reconhecer processos pouco estudados, embora parte destes se confundam com os da psicologia científica. E como todo o conteúdo mental é demasiado volátil e interage com o fisiológico, tornará sempre difícil o seu estudo mesmo em laboratório.

Hipnose

A American Psychological Association – APA (2016) define como uma técnica terapêutica, um estado de consciência que envolve atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão. Embora seja controversa, segundo a APA a maioria dos clínicos está de acordo que pode ser uma poderosa e eficaz técnica terapêutica para uma ampla variedade de condições, incluindo dor, ansiedade e outros transtornos de humor. A hipnose pode também ajudar as pessoas a mudar os seus hábitos. Embora a comunidade científica admita mais a sua utilização é por vezes colocada no mesmo patamar da PNL.

“Perguntas de qualidade criam qualidade de vida. Pessoas de sucesso fazem as melhores perguntas e, como resultado, recebem as melhores respostas” – Anthony Robbins

Coaching

Outra ferramenta reconhecida pela psicologia é o coaching onde o coach ajuda o coachee a ir do ponto A ao ponto B que foi definido pelo cliente (coachee). Nesta abordagem em vez do treinador assumir o poder sobre as pessoas, procura através de questões poderosas que o cliente descubra o poder que tem dentro, que encontre as respostas para os seus problemas/desafios. Ou seja, o coach evita impor conteúdo. Este pressuposto enquadra-se bem na PNL. Daí as vermos associadas frequentemente. Mas ao contrário da PNL, o coaching tem diversas organizações formadoras e métodos variáveis, gerando por vezes abordagens confusas todas categorizadas como coaching.

O coach ajuda a: clarificar e definir adequadamente um objetivo e metas intermédias; identificar o porquê desse objetivo para que durante toda a ação haja força para continuar o caminho; controlar o processo; identificar os obstáculos; identificar recursos humanos e materiais disponíveis para levar a cabo a dita viagem até ao ponto B. É importante perceber que os clientes, os desportistas só necessitam um coach por: falta de disciplina, falta de método e inexistencia de um processo de controlo. Logo, a ação do coach deverá estar focada nesses aspectos e não nos porquês das coisas nem na imposição de formas de atingir os objetivos do cliente. Como o seu trabalho é feito com perguntas é normal que este utilize uma técnica que a PNL chama de meta-modelo.

Uma grande invenção é algo útil, fácil de executar e que faz uma enorme diferença para a humanidade. Não interessa tanto aquilo que é, mas sim aquilo que faz. – Manoj Bhargava

Dos rótulos à intervenção

Por muito que se procure definir, delimitar, estabelecer fronteiras, conceitos, rótulos, no final o objetivo é intervir no sentido de mudar o estado do desportista para que este altere os seus comportamentos no sentido positivo. Perante isto, temos de usar a tecnologia existente e criar formas de intervenção que resultem com utilizadores de ginásios, atletas, desportistas de fim-de-semana e equipas. No fundo, temos de tornar a tecnologia útil.

As ferramentas de intervenção mental necessitam treino na sua aplicação, porque, tal como acontece com as flexões de braços, os resultados só poderão ocorrer com a sua prática regular. A psicologia do desporto, o treino mental faz-se no dia-a-dia e deverá estar integrado em todos os processos de preparação de um desportista.

Agora vamos descobrir como é que a as tecnologias de intervenção mental podem ser úteis para melhorar a adesão ao exercício e o rendimento desportivo dos treinadores e dos praticantes, transformando os problemas em desafios. Utilizando abordagem bio-psico-social do indivíduo e sempre num equilíbrio entre a teoria e a prática.

Bibliografia

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American Psychological Association. (2016). Hypnosis Today – Looking Beyond the Media Portrayal. Retirado de: http://www.apa.org/topics/hypnosis/

Dishman, R.K. (1983). Identity crises in North American sport psychology: Academics in professional issues. Journal of Sport Psychology, 5, 123–134.

Dosil, J. (2004). Psicología de la actividad física y del deporte. Madrid: McGraw-Hill.

Fitz, G. W. (1897). Play as a factor in development. American Physical Education Review, 2, p.209-215.

Gallucci, N. (2014). Sport Psychology: performance enhancement, performance inhibition, individuals, and teams (2nd ed.). New York: Psychology Press.

Greenwood, J. (2009). A conceptual history of psychology. Boston: McGraw-Hill.

Martens, R. (1979). About smocks and jocks. Journal of Sport Psychology, 1, 94–99.

Singer, R., Hausenblas, H., e Janelle, C. (2001). A brief history of research in sport psychology. In R. Singer, H. Hausenblas e C. Janelle (Eds.). Handbook of sport psychology (pp. xiii-xix). New York: John Wiley & Sons.

Triplett, N. (1898). The dynamogenic factors in pacemaking and competition. American Journal of Psychology, 9, 507-533.

Weinberg, R. e Gould, D. (2011). Foundations of sport and exercise psychology (5th ed.). Champaign, IL: Human Kinetics.

Witkowski, T. (2010). Thirty-Five Years of Research on Neuro-Linguistic Programming. NLP Research Data Base. State of the Art or Pseudoscientific Decoration? Polish Psychological Bulletin, 41 (2), 58-66.

Zaichkowsky, L. e Perna, F. (1992). Certification of consultants in Sport Psychology: a rebuttal to anshel. The Sport Psychologist, 6, 287-296.

Mudar uma equipa de futebol

Transformar uma equipa fracassada com mudanças tácticas é a mesma coisa que procurar mudar os resultados no ginásio alterando séries e repetições no programa de treino.

Breve Revisão Teórica do Personal Training

Breve Revisão Teórica do Personal Training

Paulo Sena, PhD

Escola Superior de Educação de Fafe, Portugal

paulosena@iesfafe.pt

 

O exercício físico tem benefícios psicológicos, sociais e físicos, mas nem todas as pessoas se comprometem tempo suficiente para sentirem esses efeitos. A adesão e o abandono do exercício físico, têm sido problemas para os profissionais deste sector durante décadas, mas este fenómeno apenas começou a ser estudado de forma sistemática nos últimos vinte anos (William e Klein, 2004). Nos ginásio, a adesão tem como factor principal de sucesso a relação sócio-funcionário (Sena, 2008).

Incorporar o exercício físico na vida das pessoas pode ser tão importante que, autores como Vina, Gomar, Bello, e Cabrera (2010) referem que o exercício físico é tão efetivo em termos de efeitos psicológicos que deveria ser considerado como uma droga, no entanto, deveria ser prestada mais atenção à dosagem e às variações individuais entre os pacientes.

Sabemos há algum tempo que a adesão ao exercício físico tende a ser mais elevada em pequenos grupos do que em grandes grupos (Massie e Shephard, 1971; Andrew et al., 1981). Uma intervenção individualizada é uma forma importante para o sucesso de alguns processos educativos em geral bem como na atividade física. Aliás, tem sido crescente o interesse de cientistas que realizam trabalhos no sentido de verificar o sucesso do personal training como forma de mudar comportamentos (McClaran, 2003; Maloof, Zabik, e Dawson, 2001; Mazetti, et al., 2000; Wing, Jeffrey, Pronk, e Hellerstedt, 1996).

A Atividade Profissional do Personal Trainer (PT)

Os personal trainers (PTs) segundo Rosado at al. (2014) executam várias funções: a promoção, criação e execução de um programa de exercício físico destinado a melhorar os níveis de condição física, bem-estar bem e a prevenir a doença em adultos saudáveis. E embora não haja dados para o mercado em Portugal, sabe-se que o Bureau of Labour and Statistics (2015) dos Estados Unidos da América, referia existirem 238,170 fitness trainers e aerobic instructors em 2012 nos EUA a auferir um salário médio de $31,720 por ano ($15.25 por hora de trabalho). No mesmo país o inquérito nacional da utilização do PT, referia que o cliente médio de um serviço de personal training em 2000 tinha efetuado 19,5 sessões e os clientes pagavam uma média de $47 (American Sport Data INC., 2007). O rendimento auferido pelos PTs poderá influenciar a sua performance profissional. Koustelios, Kouli e Theodorakis (2003) encontraram uma correlação significativamente positiva entre a segurança no trabalho (ordenado, promoção, o trabalho em si mesmo e a organização como um todo) e a satisfação no trabalho.

Apesar de sabermos que muitas pessoas não se comprometem com a frequência, intensidade e duração de exercício recomendadas para produzir benefícios psicológicos e fisiológicos de um programa de exercício físico (Glaros e Janelle, 2001), os professores devem promover a adesão ao exercício, desenvolvendo programas em torno dos gostos das pessoas (Thompson e Wankel, 1980), evitar prescrever exercício “by the book” para obter ganhos cardiorrespiratórios e de força porque podem promover o abandono (Annesi, 1996). No entanto, a variabilidade excessiva de um programa de exercício não está relacionada com o aborrecimento e não tem impacto na adesão ao exercício (Glaros e Janelle, 2001). Sobre este assunto, Cartoccio (2004) apresenta uma visão curiosa ao referir que: nos ginásios, onde deveríamos encontrar uma maior atenção ao corpo, encontramos uma atenção muito mais concentrada nos planos, receitas, programas que se aplicam ao corpo.

Harvey, Vchhani e Williams (2014) identificaram a importância do trabalho estético do PT, detalhando formas nas quais o PT comercializa o seu próprio capital físico. Os autores afirmam existirem confluências e contradições entre as dimensões afetivas e estéticas do trabalho na indústria do fitness, as quais demonstram que o excessivo capital físico é percebido como negativo para a identidade profissional dos PTs.

George (2008) aborda também questões de relacionamento, referindo que o personal training é um exemplo do crescente número de ocupações que requerem aos trabalhadores o uso de trabalho emocional e conhecimento especializado para fornecer um serviço à medida dos clientes.

Para McGuire (2008) o personal training é um caso particularmente revelador devido às tensões explícitas entre factores culturais (por ex: uma ética orientada para o serviço) e parâmetros económicos (por ex: aspectos empresariais da venda de serviços). O conflito entre o profissionalismo dos PTs e a parte empresarial produz a fronteira entre cultura e economia. O autor conclui que embora vender instrução de exercício seja um negocio para dar lucro, mas porque tem a ver com a saúde e interação pessoal, as racionalidades económicas deverão ser reguladas por uma ética profissional, a qual está considerada isenta de cálculo interesseiro. Isto ajuda a clarificar um diálogo amplo entre a cultura e a economia numa cultura de consumo cultural e de serviço: racionalidades económicas ainda são consideradas suspeitas quando no contexto das interações “pessoais” e serviços de atendimento.

Origem do Personal Training

Embora se aceite que que personal training tenha nascido nos Estados Unidos da América nos anos cinquenta e sessenta na dourada Hollywood quando os atores começaram a solicitar a ajuda de profissionais do exercício físico a que chamaram de PTs (Isidro et al., 2007), pode também considerar-se que Eugene Sandow, a figura da estatueta do concurso culturista Mr. Olympia, embora nascido na Alemanha, foi provavelmente o primeiro PT inglês, abriu os Institutes of Physical Culture em 1885, onde utilizava exercícios com pesos e ginástica (Chapman, 1994). Também estabeleceu um negocio de instrução pelo correio, bem como venda de equipamentos de exercício. Organizou ainda o primeiro concurso de exibição do corpo em 1901, escreveu livros e lançou uma revista intitulada Physical Culture. Mas aquilo que mais se salienta é o facto de ter sido PT de Eduardo VII e George V (monarcas britânicos).

Apesar do trabalho individualizado não ser uma descoberta dos ginásios, foi popularizado por estes. O personal training surgiu em grande parte pela falta de resultados das intervenções de grupo. Stalonas, Johnson, e Christ (1978); Pollock et al. (1998) assinalaram a importância de individualizar os programas de treino.

Formação/Certificação dos PTs

Existe uma grande variedade de certificações de PT com variados graus de validade que falham na hora de assegurar treinadores qualificados e por isso, proteger o consumidor (Melton, Katula e Mustian (2008).

Após entrevistarem de forma semiestruturada 11 fitness trainers que tinham concluído com êxito um curso acreditado pelo Register of Exercise Professionals, Lyon e Cushion (2013) referiam que os trainers aprendem de formas complexas e variadas, algumas das quais são informais e advêm de processos naturais que ocorrem no contexto de trabalho diário. Por isso concluíram existir uma necessidade de integrar mais o sistema de acreditação formal com o conhecimento informal adquirido no trabalho como fitness trainer.

Num estudo realizado com 130 Instrutores de ginástica e musculação de ginásios de S. Paulo, cuja grande maioria tinha menos de trinta anos e só 10% tinha mais de 10 anos de experiência, Antunes (2003), verificou que alguns instrutores graduados em educação física consideravam esse curso pouco importante na sua preparação, considerando a experiência prática mais importante para a capacitação profissional e muitos deles consideravam-se pouco preparados para assumirem determinadas funções ou para atuarem.

No entanto, Graham e Bauer (2006) referem que as certificações são competências mínimas. O conhecimento avançado para além da certificação inicial virá de uma instituição académica, a qual terá educado formalmente o PT nas áreas da nutrição, elaboração de programas, populações especiais e biomecânica.

Malek, Nalbone, Berger, Dale e Coburn (2002), efetuaram uma pesquisa com 115 profissionais do fitness a qual revelou que um grau de bacharelato no campo da ciência do exercício e a posse de certificações do American College of Sports Medicine ou da National Strength and Conditioning Association em oposição a outras certificações, eram fortes preditores do conhecimento de um PT, enquanto que os anos de experiência não estavam relacionados com o conhecimento. Estes resultados sugerem que os PTs deveriam ter um grau de bacharelato em ciências do exercício físico e uma certificação por uma organização cujo os critérios sejam extensivos e amplamente aceites, antes de serem admitidos a desempenhar o seu cargo.

Gavin (1996) obteve a opinião de 228 experientes PTs sobre responsabilidades, conflitos e limites da sua função. Os resultados sugerem que os treinadores podem por vezes assumir responsabilidades por comportamentos que se situam para além dos seus domínios de competência e influencia. Isto inclui atividades como aconselhar clientes acerca de nutrição, estilo de vida e agendas psicológicas.

Os gestores que trabalham na indústria do fitness também recomendam a existência de um licenciamento para os funcionários (Melton, Dail, Katula, e Mustian, 2010).

Relacionamento

Melton, Katula e Mustian (2008) afirmam que alguns clientes e atletas que trabalham com PTs, fitness instructors e treinadores estão inadvertidamente a lesionar-se e estão a experimentar efeitos de saúde adversos devido a informação errada e métodos de treino inadequados. Por isso os programas de formação não graduada dos treinadores, deveriam dedicar tempo adicional ao desenvolvimento das qualidades afetivas dos futuros fitness trainers.

A situação do relacionamento entre utilizadores de ginásio e professores foi também o âmbito de estudo de outros autores que relacionaram a adesão com a personalidade dos professores. Wininger (2002) analisou as relações entre o prazer do exercício e as percepções de 296 mulheres que frequentavam aulas de aeróbica com quatro características do instrutor e cinco características da sala de aula. Características como a condição física do instrutor, a capacidade do instrutor comunicar, as instruções e a ligação com outros participantes na aula, combinadas, contribuíam apenas para 17% da variabilidade do prazer no exercício físico. Annesi (1999) procurou avaliar se os traços de personalidade e os estilos de comportamento de 15 profissionais do exercício estavam associados com a adesão ao exercício físico dos seus clientes. O controlo estava significativamente correlacionado com a adesão dos clientes.

Por vezes os PTs exageram nos incentivos. Springer e Clarkson (2003) reportaram dois casos (mulher de 22 anos e homem de 37 anos) de pessoas educadas e experimentadas em termos de exercício físico que foram encorajadas pelos instrutores a exaustão durante o treino, levando a uma situação de rabdomiólise.

Sekendiz (2014), menciona que as abordagens de “amor rude” e no pain-no gain dos PTs, podem ter riscos sérios de segurança para os clientes e levar a um subsequente litígio. Neste sentido, os gestores de instalações de fitness deverão estar atentos à propaganda de treinos na indústria, monitorizar constantemente e avaliar as formas nas quais os seus PTs estão a fornecer os seus serviços, de forma a minimizar riscos para a segurança dos clientes e possíveis implicações legais.

Motivos Para Usar o PT

Arbinaga e Garcia (2003) ao analisarem um grupo de 55 jovens com idade média abaixo dos 25 anos que treinavam 4 a 5 vezes por semana, verificaram que os homens iam ao ginásio para manter a forma física e as mulheres para controlar o peso.

Petitemberte (2013) verificou em 183 praticantes de personal training (142 mulheres, 41 homens; média de idades 43 anos) que os motivos para utilizar o personal training, estavam mais relacionados com a prevenção de doenças. Situação reforçada por Salcedo (2010) que verificou em 30 indivíduos (entre 23 a 60 anos de idade) utilizadores do serviço de PT em academias de Porto Alegre que a saúde era a dimensão que mais levava os alunos a utilizar o PT.

O trabalho de Guimarães (2012) apresenta como motivos principais de adesão e permanência com PT o treino individualizado, estética, resultados rápidos, compromisso com horário, aconselhamento médico, envelhecimento sadio, variações de treino, avaliações periódicas e motivação.

Teixeira, Konda, Rocha, e Alves (2012) analisaram fatores determinantes para a contratação do serviço de treino personalizado em 17 homens e 16 mulheres (média de idade de 41,9 +/- 11,7 anos) utilizadores do serviço de personal training em 3 academias na cidade de Santos e verificaram que os alunos de personal training primam pela qualidade do serviço, valorizando preferencialmente aspectos como conhecimento técnico do PT, atendimento inicial e postura profissional. Já, com relação ao custo deste serviço, mencionavam que este não parecia ser o fator determinante para a sua contratação.

Em termos de adesão dos alunos ao serviço de personal training, Sombrio (2011) menciona a competência profissional e Almeida e Sartori (2014) referem os valores hora/aula como aspectos determinantes.

Intervenções de Treino com PT

Existe já um conjunto interessante de trabalhos efetuados tendo como objetivo de estudo a ação do PT em termos de resultados no treino. Na Tabela 1 apresenta-se um resumo da literatura académica sobre intervenções de treino com PT. De notar que os grupos investigados vão desde adolescentes a idosos, pessoas treinadas a não treinadas, pacientes em reabilitação e atletas, homens e mulheres, com intervenções de 6 até 32 semanas, onde foram obtidos resultados significativos com a intervenção do PT em termos de perda de peso, melhoria da força, aumento de massa muscular, redução do perímetro da cintura, intensidade de treino superior, reabilitação de pacientes e sobretudo o mais importante: a adesão ao exercício, facto sem o qual nenhum programa de treino poderá permitir ao corpo produzir os benefícios induzidos pelo estímulo do treino.

Tabela 1.

Resumo dos trabalhos mais significativos em publicações com impacto sobre a influencia do PT.

Autores Amostra Metodologia Resultados
Faulkner, Michaliszyn, Hepworth e Wheeler (2014) 39 adolescentes sedentários. 20 diabetes tipo I; 9 tipo II e 10 obesos. 16 semanas de personal training ajustado às preferências pessoais. A quantidade de atividade física moderada-vigorosa aumentou. Quanto mais tempo de atividade diária, mais melhorias na capacidade cardiorrespiratória.
Storer, Dolezal, Berenc, Timmins, e Cooper (2014) 34 homens

30-44 anos

12 semanas de treino. 3 vezes/semana

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado

O G1 melhorou força e aumentou massa muscular mais do que o G2. G1 melhorou a potencia e o VO2max enquanto que o G2 não mudou.
Killen, Barry, Cooper, e Coons (2014) 20 mulheres. 2 sessões de exercício idênticas. Cada sessão consistia em 6 exercícios; 1 sessão foi efetuada com um PT e a outra com um DVD.

Foi usado um analisador metabólico portátil para medir o consumo de 02 e registar a frequência cardíaca.

O gasto energético e frequência cardíaca foram significativamente superiores durante a sessão com PT.

A RPE foi significativamente superior na sessão com PT.

89% dos participantes referiu que preferia a sessão ao vivo com PT do que a sessão com DVD.

Marchiori, Bertaccini, Manferrari, Ferri e Martorana (2010) 332 incontinentes que fizeram prostatectomia radical (PR) G1 efetuou um programa intensivo supervisionado de um programa de treino de pelvic tilt.

G2 foi o grupo de controlo.

Os pacientes do G1 conseguiram continência mais cedo do que o G2.
Gentil e Botaro (2010) 124 jovens homens 11 semanas de treino.

G1: treinaram sob uma relação elevada treinador-aluno (HS, 1:5).

G2: (LS, 1:25).

Ambos os grupos efetuaram programas de treino idênticos.

Os resultados revelaram melhores resultados nos indivíduos com mais supervisão (G1), facto que segundo os autores se deveu provavelmente a maior intensidade no exercício.
Ratamess, Faigenbaum, Hoffman e Kang (2008) 46 mulheres 26.6 ± 6.4 anos n = 27 com PT

n = 19 sem PT

Foi-lhes instruído para selecionarem o peso que utilizavam nos seus treinos de forma a permitir efetuar 10 repetições nos exercícios chest press (CP), leg press (LP), seated row (SR), e leg extension (LE).

Os valores de 1RM para LP, LE, e SR foram maiores no grupo PT do que no grupo sem PT. Os valores RPE foram significativamente maiores no grupo PT para os exercícios CP, LE, SR, mas não no LP.
Fischer e Bryant (2008)

 

31 estudantes receberam serviços de personal training durante um semestre.

31 estudantes não receberam esses serviços.

  Os processos cognitivos e comportamentais de mudança, equilíbrio de decisão e agendamento de autoeficácia baixaram significativamente no grupo sem PT. Enquanto no grupo com PT não se alteraram.
Autores Amostra Metodologia Resultados
Byrne et al. (2006) 74 homens e mulheres com excesso de peso ou obesos.

38 ± 5 anos.

32 semanas de treino

G1: treino com programa personalizado mediante pulsómetro (controlo do gasto calórico diário) + conselhos gerais;

G2: conselhos gerais standard.

G1 perdeu mais peso, mais gordura e mais perímetro de cintura do que G2.
Ratamess, et al. (2006) 46 mulheres treinadas.

27 ± 7 anos.

3 meses de treino de força

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado.

As mulheres do G1 auto-selecionaram um peso absoluto e relativo (a 1RM) maior para poder completar 10 repetições do que G2.

As mulheres do G1 tinham mais força e eram menos propensas a acreditar no falso mito de que o treino de força poderia gerar-lhes “corpos de homens”.

Coutts, Murphy, e Dascombe (2004) 42 jovens jogadores de rugby.

17 ± 1 ano.

12 semanas de treino de força G1: treino personalizado;

G2: treino não supervisionado

G1 melhorou força nos testes de 3RM nos membros inferiores e superiores. Ambos grupos melhoraram potencia e velocidade.
Wise, Posner e Walker (2004) 32 mulheres que não faziam supino há 18 meses, foram distribuídas em 2 grupos e foram expostas a 2 fontes de informação de eficácia. Ambos os grupos efetuaram 10 repetições numa máquina de supino vertical e completaram a escala da eficácia no supino.

Depois, cada grupo recebeu 1 de 2 mensagens verbais possíveis.

Ambas mensagens incluíam as qualificações do emissor no treino de força. Para além disso uma mensagem tinha feedback específico de performance, enquanto o outro continha informação mais generalista.

Depois a eficácia foi medida de novo.

Os resultados indicaram que ambas as mensagens foram eficazes.
McClaran (2002) 129 indivíduos.

20-65 anos.

10 semanas de treino personalizado. 74 indivíduos subiram 1 a 2 estadios do modelo transteórico, 27 indivíduos mantiveram-se (porque não tinham mais estadio para cima) e apenas 1 indivíduo baixou.
Autores Amostra Metodologia Resultados
Maloof, Zabik, e Dawson (2001) 17 indivíduos.

18-65 anos.

6 semanas de treino

G1: treino personalizado

G2: treino em grupo com pouca supervisão.

G1 melhorou mais a força do que G2.
Mazetti et al. (2000) 20 homens.

25 ± 1 ano.

12 semanas de treino de força.

G1: treino personalizado

G2: treino não supervisionado.

G1 aumentou mais a carga utilizada para treinar, melhorou mais a força e a massa muscular do que G2.
Jeffery, Wing, Thorson, e Burton (1998) 193 homens e mulheres obesas. G1: standard behavior therapy (SBT).

G2: SBT com SW (caminhadas supervisionadas 3x por semana).

G3: SBT + SW + PT (com PTs, que caminhavam com os participantes, faziam lembretes por telefone e faziam SW).

G4: SBT + SW + I (com incentivos monetários por completarem as SW).

G5: SBT + SW + PT + I.

O PT melhora a frequência nas caminhadas. Quando combinado com incentivos financeiros produz melhor adesão ainda ao exercício físico.
Wing, Jeffery, Pronk, e Hellerstedt (1996) 35 indivíduos.

40 ± 8 anos.

24 semanas de treino (andar 3x/s) + dieta (1000-1200kcal/dia).

G1: com PT

G2: sozinhos

A adesão ao programa foi a mesma em ambos os grupos e ambos perderam gordura de igual forma.

É possível que ao fazer-se uma dieta muito rigorosa, o efeito do treino se veja diluído.

 

Conclusões

O objetivo deste trabalho foi dar a conhecer a literatura académica relacionada com a atividade de personal training e fornecer uma estrutura de análise para melhor compreensão do tema, servindo eventualmente de ponto de partida para futuras investigações sobre personal training.

Assim, conclui-se que treinando com um PT, podem conseguir-se os seguintes resultados do ponto de vista fisiológico:

  1. a) Perde-se mais peso, gordura e perímetro na cintura (Byrne et al., 2006; Mina et al., 2012);
  2. b) Ganha-se mais força (Storer et al., 2014; Mina et al., 2012; Ratamess et al., 2008; Ratamess et al., 2006; Coutts et al., 2004; Maloof et al., 2001; Mazetti et al., 2000);
  3. c) Ganha-se mais massa muscular (Storer et al., 2014; Mazetti, et al., 2000).
  4. d) Ajusta-se melhor a carga do treino, ocorre uma autosseleção de intensidades superiores de treino e valores superiores de Escala de Percepção de Esforço durante o exercício físico (Ratamess et al., 2008; Ratamess et al., 2006).
  5. e) Melhora-se potencia e capacidade cardiorrespiratória (Storer et al., 2014).
  6. f) Mulheres universitárias com condição física baixa a moderada, preferem exercitar-se com PT e demonstram maior gasto calórico e frequência cardíaca nessas sessões. Killen, Barry, Cooper, e Coons (2014).

Os melhores resultados obtidos no treino com supervisão, devem-se provavelmente à maior intensidade no exercício (Gentil e Botaro, 2010).

Em termos de adesão, conclui-se que um treino personalizado ajustado às preferências pessoais e atuando sobre o entorno familiar, aumenta a adesão ao exercício (Faulkner at al., 2014).

Treinar com um PT aumenta a adesão ao exercício físico (McClaran, 2002).

O PT contribui para manter processos cognitivos e comportamentais de mudança, equilíbrio de decisão e agendamento de autoeficácia (Fischer, e Bryant, 2008).

O PT melhora a frequência nas caminhadas e quando combinado com incentivos financeiros produz melhor adesão ainda ao exercício físico (Jeffery et al., 1998).

Pessoas idosas com atraso mental profundo podem beneficiar de um PT para manterem a adesão ao exercício físico (Cooper e Bowder (1997).

Apenas encontramos um trabalho que concluiu que o PT não gera mais adesão ao exercício (Wing et al., 1996).

Os treinadores de força que trabalhem em situação um-para-um com mulheres jovens, devem: (a) assegurarem-se que os alunos têm conhecimento das suas qualificações profissionais, (b) fornecer feedback específico e (c) declarar as suas crenças nas capacidades dos seus alunos executarem os exercícios. Wise, Posner e Walker (2004).

Devido ao reduzido número de indivíduos estudados, estes resultados requerem uma interpretação cuidadosa e confirmação em futuros trabalhos com diferentes amostras e metodologias.

Ficamos a conhecer um pouco melhor o que que faz o PT, qual a sua origem e a problemática da formação/certificação dos profissionais do sector. Começamos a ter evidências que a intervenção de um PT tem impacto nos resultados obtidos através do exercício físico bem como na adesão aos respetivos programas de movimento corporal. No fundo o PT vende atos humanos, serviços que pretendem resolver os problemas dos indivíduos que na generalidade parecem centrar-se na melhoria da condição física e saúde.

Assim, mediante a literatura estudada e o conhecimento empírico, acreditamos que a investigação deveria avançar com base nestas 3 estruturas conceptuais e até partir daí para a criação de um modelo de análise:

  1. Parece-nos que a adesão está relacionada com os resultados e que estes estão de alguma forma dependentes da intensidade dos treinos.
  2. Por outro lado, nota-se que as percepções e o próprio exercício influenciam o estado emocional, consequentes comportamentos e resultados obtidos pelos indivíduos.
  3. Se os serviços do PT são contratados em última análise para colmatar a falta de disciplina, de um método eficaz e de um processo de controlo por parte dos indivíduos, convém perceber de que forma a escolha que o PT faz dos exercícios e a comunicação proxémica nos treinos podem levar a melhores resultados.

Face ao exposto, parece evidente que o Personal training é uma vasta área de estudo para a psicologia do desporto.

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