Sem tempo para treinar 1.1

Algumas pessoas acham que o treino só nos dá resultados com uma intervenção do tipo profissional. Ou seja, uma dedicação de umas… 15 horas por semana. Um afastamento completo da sociedade, sobretudo em termos alimentares e uma atitude do tipo clausura social.

Quando comecei a treinar e posteriormente a treinar outras pessoas, acreditava que isso era verdade, mas com o passar do tempo me apercebi que era possível obter bons resultados em muito menos.

O problema estava e está na qualidade do treino, ou seja, naquilo que fazemos durante os treinos e não na quantidade de coisas que fazemos. Para isso temos de nos apoiar na:

– técnica de execução de exercícios

– intensidade de treino

– tudo aquilo que fazemos fora dos treinos: alimentação, repouso, atitude de vida…

Vamos deixar a última situação. Não porque não seja importante, mas porque, temos de nos concentrar no trabalho dentro do ginásio.

A técnica de execução deverá ser lenta, controlando os pesos, pensando e concentrando o trabalho nos músculos e não na carga que estamos a levantar. Conhecer as principais funções dos músculos é fundamental para saber se o movimento que estamos a executar é ou não adequado para estimular determinado grupo muscular. Certos detalhes na técnica, podem marcar a diferença entre: carregar e descarregar os músculos. Em palavras mais simples: facilitar ou dificultar o exercício para os músculos que pretendemos colocar em acção. Temos de pensar que o objectivo é trabalhar os músculos contra uma resistência. Não é simplesmente movimentar o peso para cima e para baixo um determinado número de repetições.

Vamos agora centrar a nossa atenção naquilo que nos pode encurtar o tempo de treino: a intensidade.

Resumidamente, um trabalho mais intenso poderá ser um trabalho efectuado num menor período de tempo. Assim, podemos encurtar os períodos de repouso entre séries e entre exercícios e tentar percorrer as mesmas distâncias em menos tempo. Isto torna o trabalho mais difícil, mais custoso, mais gastador em termos energéticos, mais estimulante para o corpo. Quando realizamos uma rotina de exercícios de musculação, ao mudarmos de uma máquina para outra, o tempo de deslocação, de colocação da toalha, de realização de ajustamentos da máquina e de selecção da carga, tarda pelo menos uns 40 segundos quando estas tarefas são efectuadas rápido e por um praticante experiente. Portanto, é comum ocorrerem períodos de repouso involuntário enormes entre exercícios.

Mas o maior problema para alguns, está fora do ginásio. Ou seja, a capacidade para se deslocarem regularmente ao ginásio. Muitos desses indivíduos foram atletas, foram regulares a fazer exercício físico, até que, algo mudou radicalmente nas suas vidas. O nascimento de um filho, a mudança de emprego, o casamento, as exigências do dia-a-dia. Por vezes, perante estas novas situações, não tiveram os skills necessários para se adaptarem a uma nova situação, a um novo desafio que é por vezes muito mais exigente do que uma repetição numa máquina de musculação. É necessária disciplina, força de vontade e valorização do exercício físico para que este continue a fazer parte das suas vidas.

Se queremos mudar, criar novos hábitos, necessitamos: paciência, persistência e disciplina. Eis alguns truques que podem resultar com base nessas condicionantes:

Regularize a sua hora de despertar para que o seu corpo se habitue a levantar à mesma hora e faça-o sempre (quando muito, quebre a rotina uma vez por semana).

Se tem um horário de trabalho muito variado e que nunca termina a uma hora certa, então, experimente treinar antes de ir trabalhar. Coloque o treino como o seu primeiro compromisso do dia.

A regularidade é muito importante para formar o hábito, daí que: se pode treinar hoje, não deixe para amanhã. Ainda que tenha treinado no dia anterior, é melhor treinar dois dias consecutivos numa semana, do que treinar apenas um dia numa semana (pelo menos isto é verdade para a maioria das pessoas).

Consiga um parceiro de treino. Um amigo, alguém com quem se comprometa a treinar em hora e local assinalado previamente. De preferência, alguém exigente no que respeita a compromissos.

Crie um contrato consigo próprio. Formule objectivos perante testemunhas que o ajudem a honrar esse contrato. Escreva mesmo e defina quais os prémios e as penalizações. As testemunhas deverão obrigá-lo a cumprir esse contrato.

Em vez de começar por estabelecer objectivos de resultado ou objectivos de rendimento, estabeleça antes objectivos de processo, objectivos de realização. Esses objectivos centrar-se-ão naquilo que você deverá fazer para atingir os resultados desejados. Ou seja, são os comportamentos diários que deverá ter para conseguir determinadas metas. Alguns desses comportamentos poderão ser aqueles assinalados anteriormente, como por exemplo a hora de levantar. Exemplo de um objectivo: realizar 8 treinos no mês de Agosto.

Mas para ajudar a controlar esse processo, é fundamental chegar ao final do dia e verificar se teve esses comportamentos ou não. Para isso, basta fazer uma pequena grelha com as acções a realizar e os dias. Depois é só assinalar se cumpriu ou não cumpriu.

Utilizando esse controlo e a promessa estabelecida no contrato, poderá ainda acrescentar recompensas e castigos. Mais uma vez, há que dar conhecimento aos amigos e à família, para que controlem e ajudem a levar a cabo os objectivos de realização.

Um dos primeiros objectivos a estabelecer, poderá estar relacionado com a regularidade. Por exemplo: efectuar 8 sessões de treino por mês, incluindo 20 minutos de exercício de endurance e 20 minutos de musculação.

E porque não ter um diário? Adquira um pequeno bloco de notas. Comece por registar o seu peso, estatura, medições dos seus perímetros, percentagem de gordura, os seus níveis de colesterol e outros dados que julgue pertinentes a fim de estabelecer objectivos de resultado. Depois de estabelecidos os objectivos de resultado. Ex: perder 4 kg até 30 de Setembro de 2006. Ou: reduzir o colesterol para 200 até ao final de 2006. Tem agora de fazer uma lista das acções diárias e semanais necessárias para atingir esses objectivos. Ou seja, tem de estabelecer objectivos de realização. Ex: comer vegetais a todas as refeições. Ou: ingerir 2l de água por dia. Serão esses objectivos que farão a lista de controlo diário. No final do dia terá de verificar se cumpriu ou não cumpriu. Tardará uns 10 minutos.

Centre os seus pensamentos no momento actual. Não pense no dia 15 de Agosto ou no final do ano. E toca a agir!

Volta tudo ao mesmo!

Depois de uma boa participação da Selecção Nacional de Futebol na fase final do campeonato do mundo, que fez esquecer todos os problemas do País, incluindo os vigilantes a serem obrigados a riscar nomes nas provas globais de Língua Portuguesa, os grandes acidentes automóveis e as vitórias daqueles desportistas que treinam 4 a 5 horas por dia e recebem subsídios de 500 EUR por mês, eis que tudo volta à normalidade. Os jogadores da selecção voltam a pedir dinheiro como o fazem sempre que há uma fase final de qualquer competição. Não são os clubes deles (esses que lhes pagam, até deveriam pedir dinheiro às Federações) que pedem, mas sim os próprios jogadores. Quando foram para Saltilho, não tiveram coragem de rever as contas enquanto estavam em Portugal e esperaram pela grande viagem para solicitarem as verbas. Na Coreia, o mesmo se passou. Agora viram os prémios aumentados em pleno campeonato e para tudo terminar bem, solicitam agora uma isenção.

Temos agora a isenção de IRS para os nossos jogadores que parecem ter aproveitado a situação para nos retribuir o apoio. Ou seja, eles que têm mais dinheiro e deveriam contribuir mais para a causa Nacional, são os que menos querem dar. Mas pior do que isso são os nossos governantes que justificam o “não” pelo facto de estarmos em época de contenção. Será que, no caso das finanças do País estarem bem, eles responderiam afirmativamente ao pedido do Sr. Madaíl?

Se o pedido fosse para os jogadores da segunda ou da terceira divisão que ganham 600 ou 700 euros por mês durante 10 a 11 meses, poderia até ser pensado, mas para jogadores cujos ordenados ultrapassam num dia aquilo que muitos ganham por mês, então é um roubo. Quando me provarem que um jogador profissional de futebol não ganha mais em 10 anos do que uma pessoa que ganhe o ordenado mínimo durante 40 anos, então poderão preocupar-se. Até lá, deveriam ajudar o País, investindo o seu dinheiro por cá, pagando impostos e fazendo acções de caridade e de ajuda aos mais necessitados de forma regular. Bastaria até a sua presença regular em festas, nos hospitais e em certas instituições para todos usufruirem. Um jogador profissional de futebol, é um previligiado. Faz aquilo que gosta é adorado por todos, ganha imenso dinheiro e se quiser não gasta dinheiro nenhum, pois a alto nível, basta um anúncio, ou um texto, ou uma foto dele para que muitos bens lhe sejam oferecidos. Ainda por cima, treina muito pouco quando comparado com atletas de remo, natação ou atletismo. Por pouco quero dizer: número de horas e intensidade de treino.

É verdade que o jogador de futebol é o motor da indústria da bola mas os benefício, os previlégios que tem são mais do que suficientes. Solicitar uma isenção de impostos é dizer que não quer contribuir para melhorar o País que acabou de representar.

O futebol é a modalidade mais praticada em Portugal, é a modalidade que mais dinheiro recebe de forma directa ou indirecta. Consegue até construir estádios para serem utilizados de 15 em 15 dias ou quase nunca (como acontece no Algarve). Consegue construir 2 estádios no Porto e mais 2 em Lisboa que se deveriam ter resumido apenas a um grande estádio (ao estilo de Saitama, por exemplo) no Porto e um grande estádio em Lisboa (assim os jogadores poderiam ter sido recebidos num estádio ao nível daqueles que utilizaram na Alemanha em vez de terem utilizado o velho Nacional que deveria ter sido uma das estruturas reconvertidas para o EURO 2004; assim seria possível abrir os estádios várias vezes por semana para diversos tipos de eventos em vez de andarmos a suportar os custos de manutenção dos estádios ou a não usufruir da totalidade das bilheteiras, casas de banho ou serviços para que foram construidos os estádios do EURO2004).

Os jogadores tiveram muito apoio, muita gente a sofrer por eles, a fazer sacrifícios para lhes darem todo o seu apoio ou apenas para os verem lá na Alemanha, nunca lhes falta nada e estou certo que qualquer pessoa gostaria de estar no lugar deles. Ainda assim têm atitudes destas e comportamentos inadequados nos estágios para quem do corpo depende como o mecânico das suas ferramentas.

Tiveram uma boa participação, é verdade. Mas não são uns coitadinhos de um pequeno País. Esse País pequeno, sempre foi grande no futebol. Grande porque sempre foi do top 10 mundial quando se trata de ordenados a jogadores, quando se trata de subsídios do estado, de construção de instalações, de situações fiscais especiais, etc. Um País com essas condições só pode, ou melhor, é OBRIGADO a estar presente em todas as fases finais e a passar para a fase de eliminatórias dessas provas. Daí para à frente, necessita um pouco de sorte, proficiência e outros detalhes, mas devemos EXIGIR que cheguem até lá. É obrigação de quem tem estas condições, de quem tem toda esta situação privilegiada. Vistas bem as coisas, no grupo de Países que gasta tanto dinheiro com futebol, só Portugal e Espanha é que não foram Campeões do Mundo. Portugal nem da Europa foi. Se calhar a hora está próxima. Na Europa não há muitos Países onde estejam jogadores que ganham mais de 200 mil euros por mês. Nós somos um desses. Portanto, temos de ser exigentes até determinado ponto. Fizeram uma boa campanha, mas não são uns coitadinhos nem a justificação de sermos um País pequeno serve. A Bélgica, a Suiça e a Holanda têm campeonatos de futebol profissional onde entram equipas que aqui seriam quase consideradas semi-profissionais. No entanto têm elevado número de presenças nas fases finais ao nível das Selecções jovens e menos jovens e até alguns títulos. Para além disso, não devemos esquecer que Porto Sporting e Benfica têm vários títulos e presenças vitoriosas em competições internacionais. Portugal pode ser um País pequeno e em dificuldades noutros aspectos, mas no futebol somos uma grande potencia mundial desde há muitos anos atrás. Por isso temos de ser exigentes com os nossos jogadores. Temos de colocar pressão nos jogadores e no treinador. Senão o fizermos, eles terão prestações medíocres como prova o passado recente. Não necessito recordar aqueles famosos sub-21 que após destruírem 3 balneários (só estes apareceram nas notícias) nem reprimendas tiveram por parte de quem os dirigia (será que dirigiam?!) ou o que aconteceu nos últimos jogos Olímpicos ao defrontarem equipas amadoras ou aquelas famosas noitadas. A pressão faz parte da actuação de um jogador que deverá estar sempre com um nível de activação óptimo em vez de estar demasiado excitado ou completamente relaxado e apático. Portanto, coitadinhos são os Portugueses que acharam que os jogadores de futebol profissional deste País estavam a fazer algo desumano só ao alcance de jogadores dos EUA ou da Austrália. Coitadinhos são aqueles que trabalham todos os dias no duro para ganhar 300 ou 400 euros para sobreviver contribuindo para que este País exista. Será que não merecem os impostos sobre 50 mil euros de jogadores que ganham vários milhares? A Federação não recebeu uns “trocos” pela sua classificação no Mundial? Sabem quanto custa a inscrição de um jogador de futebol num campeonato regional em Portugal? Já viram os preços dos bilhetes nos jogos do campeonato? De onde vieram tantos Portugueses interessados em futebol? Não os tenho visto nos estádios de futebol do campeonato Nacional. Será que não gostam de futebol? Enfim! Há muitas questões a serem respondidas mas para mim voltou tudo à forma inicial. Portugal já era respeitado no futebol. Quanto mais não fosse, à custa dos nossos clubes campeões Nacionais. E a economia não se mexeu devido à nossa boa participação no Mundial. Começa agora a campanha para outro Euro e devemos exigir o apuramento e em 2008 a presença nos oitavos de final como mínimo. Volta tudo ao mesmo: os jogadores de futebol são uns coitadinhos muito esforçados a fazer coisas incríveis, nós vamos continuar a não respeitar filas, a fugir aos impostos, a não festejar o Dia da Nação, a maltratar o vizinho do lado, a idolatrar o Cristiano (o jogador cuja estratégia se resume: “Passa-me a bola que eu quero fintar!”), mas sempre orgulhosos dos coitadinhos, pobres, desgraçados jogadores da nossa selecção!