Supino durante 20 minutos!

Num health club do Porto, vi um indivíduo efectuar supino em máquina durante mais de 20 minutos, movimentando o peso da forma mais acelerada que conseguia. Pelos descansos deverá ter efectuado umas 8 séries.

Chaves a caminhar!

Desde que me mudei para a cidade de Chaves na região de Trás-os-Montes, não paro de ver gente a caminhar. Seja pelas sete da manhã com temperaturas negativas, seja agora pelas 22 horas com uma temperatura mais amena. Faça chuva ou faça Sol, eles aí estão! Caminham a conversar, caminham sem parar. São na sua maioria mulheres acima dos 30 anos, mas há gente de todas as idades e ambos os sexos. Nesta época do ano é natural que todos se preocupem mais com a actividade física, mas o que me espanta são as centenas de pessoas que durante todo o ano não param de caminhar. Estas pessoas necessitam gastar mais do que aquilo que consomem e fazem-no adicionando caminhadas e reduzindo o consumo de energia. No entanto, a mobilização muscular reduzida e a baixa intensidade da actividade de caminhar raramente estimulam o corpo de uma forma que lhes permita ver resultados rápidos e contínuos.
Como professor de educação física, invejo o estatuto médico que, com apenas um conselho, consegue colocar uma cidade a caminhar. Na generalidade, as pessoas reconhecem os benefícios da actividade física regular, mas da teoria à prática vai um grande espaço. Desde sempre os médicos recomendaram caminhar e nadar como actividades benéficas para a saúde mas raramente recomendam outras.

Caminhar pode ser uma actividade muito boa para quem é sedentário: mobiliza grandes grupos musculares mas não trabalha os membros superiores e tem um impacto reduzido sobre o tronco. Quem nunca caminha, ao percorrer uma distância de 1000 metros numa hora, poderá sentir os efeitos de um estímulo de treino. Mas quem está habituado a fazer exercício, necessita de controlar variáveis como a distância e o tempo para sentir os mesmos efeitos. Ou seja, quando o corpo está habituado a determinadas exigências físicas não tem porque mudar o seu sistema de funcionamento para fazer face a essas exigências. Torna-se então necessário um estímulo mais exigente, por exemplo: percorrer a mesma distância em menos tempo ou percorrer maiores distâncias no mesmo tempo.

Para as pessoas cujo objectivo é a melhoria da sua funcionalidade, parece viciante a caminhada com um grupo de amigos. Para aqueles que apenas pensam em grandes mudanças estéticas do seu corpo, rapidamente desistem da actividade porque os resultados dificilmente aparecem se não controlarem as variaveis anteriormente referidas. Ou seja, se não aplicarem princípios de treino. É esse grupo que cresce nestes meses, tal como crescem as vendas de todo um conjunto de equipamentos para melhorar o visual enquanto se realiza qualquer tipo de actividade física. Vemos gente a comprar bicicletas de quatro mil euros para passearem no parque, gente que gasta seiscentos ou setecentos euros em material para caminhar mil ou dois mil metros de forma irregular durante a semana. Enfim, é Portugal a caminhar!