Vamos caminhar?

Quando caminhar já não chega

Os médicos gostam muito de estimular as pessoas a caminhar ou a nadar. Movimentos que mobilizam grandes grupos musculares do corpo humano e assim obrigam o sistema cardiorespiratório (que é uma espécie de sistema de alimentação de combustível) a trabalhar a um ritmo mais elevado.

Um amigo dizia-me que seus Pais (curioso… Ocorre o mesmo com os meus Pais e outros familiares de meus amigos, com os meus Tios…) costumam caminhar uma hora por dia e que ao fim de algumas semanas deixaram de ver resultados ao nível funcional e de perda de peso. Porque será?

Falta de aplicação do Princípio de Sobrecarga. O corpo adaptou-se ao esforço, por isso agora têm de:

  1. Percorrer a mesma distância em menos tempo
  2. Manter o tempo de caminhada e percorrer uma distância superior

Simples!

Se continuarem a evoluir, terão eventualmente de começar a fazer jogging ou até correr para continuarem a estimular o seu corpo, pois o estímulo actual já não obriga seus corpos alterarem as suas estruturas para dar resposta ao estímulo de caminhar uma hora a determinada velocidade. Ou então… Se não desejarem ou não puderem efectuar movimentos com alto-impacto, terão de adicionar pelo meio uns… Agachamentos.

É bom sinal quando o corpo se adapta rápido a um estímulo. Neste caso o estímulo de caminhar. Adoro caminhar, mas posso fazê-lo durante horas sem que o meu corpo entenda isso como um estímulo que o obrigue a modificar-se. Por vezes caminhamos com o objectivo de recreação física, ou para fins de bem-estar psicológico. Nesse caso não temos de nos preocupar muito com a intensidade da caminhada, no entanto, acontece por vezes que, mesmo os benefícios psicológicos deixam de ocorrer porque necessitam também de um estímulo de intensidade óptima que varia de pessoa para pessoa. Logo, de uma forma ou de outra, para obter benefícios físicos ou psicológicos, a intensidade de esforço terá de variar positivamente. Com isto não quero esquecer os sociais. Caminhar e conversar é sempre algo muito benéfico e interessante, mas não podemos considerar uma forma de exercício físico que respeite os princípios de treino.