Cria uma sala de troféus para mudar o teu estado

Uma forma de elevar a auto-estima, mudar o foco e consequentemente mudar o nosso estado emocional que influencia os nossos comportamentos, os quais são responsáveis pelos resultados que obtemos, consiste em criar a sala de troféus.

Fazemos isso de forma física, com as nossas medalhas, os nossos diplomas, as nossas fotografias que nos recordam momentos de sucesso, sensações que consideramos positivas. Mas, também podemos simplesmente escrever em qualquer momento do dia, 5 êxitos pessoais, profissionais ou desportivos, dignos de pertencerem à sala de troféus.

Podemos posteriormente refletir se esses êxitos foram fruto de termos estabelecido um objetivo à partida, se necessitaram muito trabalho, se eram uma prioridade nossa todos os dias, se tinham associados determinados rituais diários… Porque fomos nós que os alcançamos. Recordando isso, estaremos a lembrar o nosso potencial, a nossa competência e a criar um estado propício a novas conquistas.

Experimenta!

Metas intermédias, objetivos de Tarefa… Psicologia Aplicada

Quando treinas sozinho, tens o amiguinho dentro da tua cabeça a empurrar em frente ou a puxar para trás. No meu caso é o Jorginho.

Disciplina

Começamos o treino porque uma força interior e o plano delineado para esta semana dizia: remo. Nunca fui remador, mas o remo indoor conquistou-me há anos quando a passadeira irritou os meus rotulianos e antes ainda quando o tempo era curto para treinar. Mas foi no dia em que, na antiga Solinca de luxo recebi um cartaz com vários desafios de remo e decido fazer tudo: desde 500m até uma hora a remar. O quadro estava vazio e tinha de liderar pelo exemplo: um cirurgião não tem de se submeter às suas técnicas, mas também não vai fazer dos pacientes suas cobaias.

Expectativas

Comecei a remar focado na técnica: pernas – tronco – braços. Tinha apenas definido remar 2km.

Dissociação cognitiva

Resolvi ligar a música, mas lembrei-me que podia ter um treinador virtual por uns minutos. Nada melhor do que Eric Murray. Cliquei e…

O Eu Analítico

Comecei por escutar um vídeo técnico, mas a vozinha crítica prendia os meus movimentos. Mudei para um vídeo mais longo e deixei-me ir. Quando somos crianças, aprendemos por modelagem, imitando quem nos rodeia. Olhei para o Eric e procurei imitar sem pensar nas pernas ou nos braços e os metros foram avançando pelo ar fresco de Vila Real ao som dos passarinhos que nos lembram a primavera. Lembrei-me do Timothy Gallwey 🙂

Mudar o Foco

Já havia alterado o monitor para watts, deixando de ver o andamento em tempo (referência que mais domino) e desligando a atenção do passado e do futuro.

Objetivos de Resultado

Não sabendo a distância percorrida nem a velocidade, era mais difícil focar-me no futuro sem referências. Isso permitiu que a minha ansiedade diminuisse em relação ao habitual. Vivo um período há muito tempo em que as sensações por vezes levam a interpretações inadequadas do Jorginho.

Objetivos de Tarefa

O presente é tudo o que temos garantido. É o aqui e agora. Podemos deixar o barco ir com a corrente: go with the flow. Podemos pensar em pernas – tronco – braços. Em expirar quando a barra toca o tronco e quando ela está sobre os pés.

Metas Intermédias

É meu hábito como professor, partir 2km em pedaços mais pequenos e focar a minha instrução em técnica nos primeiros 500m, contar remadas nos segundos 500m, distrair o alunos nos 1500 e só a partir daí mudar o foco para…

Objetivos de Resultado

Quando já tinha 23 minutos e me deixei ir com a corrente ao lado do Eric (algo que nem em sonhos com ele em má forma), resolvi dar um comando: páras aos 25min, mesmo que te apeteça fazer mais! Obedeci mesmo sem estar cansado, focando-me novamente no futuro, num objetivo de resultado.

A Surpresa

Mudei o monitor para ver metros percorridos. Pensava ter uns 4300, mas… Estava nos 4750 com pouco mais de um minuto para o final. Resolvi fazer umas remadas mais poderosas e em vez das 18 por minuto, passei a 26. Não queria terminar com falta de ar. Fazia tempo que não percorria 5km. Está longe dos 20 minutos de há 20 anos, mas foi engraçado.