Melhora o teu agachamento para melhorares o teu jogo de futebol

“A força é a base da tua habilidade de interagires com o teu ambiente” Mark Rippetoe

Para te manteres em pé, necessitas força. Como melhorar essa capacidade?
Se melhorares a carga contra a qual consegues fazer 1 a 6 repetições em amplitude total de movimento, estarás a melhorar a tua força. Isso pode ocorrer fazendo um movimento com o teu peso corporal, ou, no caso de conseguires efetuar dezenas de repetições com o teu peso corporal, vais necessitar de uma resistência adicional.
A barra e uns discos, são uma ferramenta simples e prática que cumpre essa função. Dura uma vida, serve múltiplos propósitos em termos de exercícios multi-articulares bem comprovados ao longo dos anos. Se não a usas, estás a perder uma grande vantagem competitiva.
O agachamento nasce connosco, mas ao longo dos anos vamos perdendo essa capacidade porque deixamos de usar a amplitude de movimento que o exercício exige. Se conseguires estar na posição de agachamento em descanso durante mais de 10 minutos, é provável que tenhas uma boa mobilidade no tornozelo, joelho e anca. Se nessa posição consegues equilibrar uma barra com os braços estendidos acima da cabeça, então pode significar que os teus ombros, a tua coluna e cintura escapular, também conseguem boa amplitude.
Para não perderes flexibilidade, deves usar a amplitude de movimento que a articulação te permite de forma natural. Se a reduzires, vais perder mobilidade. Ou seja, se efetuares um quarto de repetição, meias repetições, naturalmente deixarás de ter a flexibilidade. É normal alguém que só corre, ou só joga futebol, perder mobilidade na anca. Como não usa grandes amplitudes nos seus movimentos de corrida e de jogo de futebol, os músculos ficam encurtados. Mas se, paralelamente a essas atividades fizerem agachamentos em amplitude total, a mobilidade vai melhorar.
Um indivíduo de 70kg que agacha com 50kg em amplitude total de movimento eficaz, suporta oposição de forças razoáveis, mas um jogador com o mesmo peso corporal que faça 100kg de agachamento na mesma amplitude, tem maior poder de choque, salta mais alto, remata com mais força, passa de forma mais descontraída, se todos os outros factores de treino se mantiverem idênticos. É uma tremenda vantagem competitiva.
Não se imitam movimentos desportivos no ginásio, porque o trasnfer é maioritariamente negativo, porque já o fizemos muito no passado (sim, elásticos, escadas de coordenação e plataformas instáveis não são coisa nova) e porque não são a forma adequada de treinar força em amplitude total. Têm a sua utilidade, mas não para melhoria global da força e performance. Aliás, a sua origem está nas clínicas de reabilitação.
No ginásio usamos ferramentas simples, respeitando as leias da física e a anatomia. Aplicamos metodologias, padrões, processos que milhões de pessoas testaram com êxito. Não temos certezas, mas não queremos inventar muito nem usar as pessoas como cobaias de metodologias e ferramentas para satisfação dos nossos egos ou das casas que vendem os equipamentos.
Fazemos treino específico? Sim! Adaptamos o agachamento a cada indivíduo, respeitando o princípio de treino da individualidade biológica: o comprimento dos membros, a mobilidade, toda a antropometria do indivíduo. Fazemos treino específico? Sim! Adaptamos o volume e a intensidade de treino. Fazemos treino específico? Sim, adaptamos a comunicação e a progressão ao tipo de personalidade do indivíduo. Fazemos treino específico? Sim! Na abordagem mental e alimentar.

As pessoas ainda acham que não conseguem cozinhar porque não têm a receita adequada. Os treinadores e jogadores ainda acham que têm de esconder segredos à porta fechada e que, mudando as combinações de séries e repetições (ou seja, a receita) vão conseguir dominar as técnicas dos exercícios, comunicar melhor com o atleta, ensinar partindo o todo em partes e fazer aquilo que interessa: ajudar a pessoa a progredir no seu jogo, com a ajuda do simples treino de força com uma barra. Primeiro temos de aprender a cozinhar, porque pouco interessa mudar os utensílios e as receitas, se não sabes como usar aquilo.
Simplifiquem, mas não acreditem em mim. Experimentem um treino de força de 45min a uma hora 3x por semana com agachamento, peso morto, press, supino powerclean e elevações. Façam uma progressão linear e após 3 meses, verifiquem o impacto que tem no vosso jogo, na vossa aceleração, na forma como protegem a bola e na menor tensão que fazem para tocar a bola, parra rematar ou passar a longa distância. Sim, quando temos pouca força, aplicamos mais tensão desnecessária no passe e no remate. E acrescento uma garantia: reduzirão as lesões não traumáticas. Ai esses isquiotibiais!.. Abaixo com a pubalgias!
Vivemos no futebol atual agressivo, embora com excelentes bolas e excelentes terrenos de jogo ao contrário do que acontecia nos anos 80. Mas, os adversários estão cada vez mais pesados e poderosos. Indivíduos de 80kg outrora raros, agora são muito comuns e mesmo que não tenham muita força, acelerados criam muito impacto para suportar. E da mesma forma que um tipo com um 100kg de supino dá um pequeno empurrão num indivíduo e este afasta-se com facilidade, o tipo mais pesado encosta e ganha facilmente posição.
Aumentar a carga no agachamento não significa aumentar necessariamente o teu peso corporal. Pelo menos, não de forma significativa. O meu peso morto passou de 100kg até 170kg (já com mais de 40 anos) e não foi necessário subir dos meus 80kg de peso corporal. Se quisesses ser powerlifter ou tivesses como base o treino de força para o teu desporto, sim, terias de aumentar muito o teu peso corporal. Qualquer jovem de 80kg pode em 2 anos atingir 120kg de agachamento e 160kg de peso morto, de forma solida, progressiva, sem risco e com enormes benefícios em tudo o que fizer na vida.
Tenho alguma curiosidade em saber porque os jogadores de futebol mais velhos, passam a fazer musculação com regularidade e porque os jogadores que fazem intervenções cirúrgicas aos joelhos se “casam” com o ginásio. Deve haver algo benéfico no treino com pesos.
Ossos, músculos, articulações podem e devem ser protegidos. O agachamento é o exercício número um, porque trabalha anca, joelhos, tornozelos e a carga é suportada pelo tronco. É uma enorme quantidade de massa muscular envolvida, com ênfase na extensão da anca, solicitando assim glúteos, adutores, isquiotibiais e toda a zona lombar. Tem um grande impacto local e metabólico.
De que estás à espera para melhorar o teu jogo?
Começa agora a fazer o treino individual de agachamento.

Saltos Verticais Necessitam Força

A capacidade de saltar na vertical sem corrida de balanço, impressiona qualquer um. É um teste muito utilizado há anos. Se querem perceber o potencial para o desenvolvimento de força e velocidade de um indivíduo, este teste fácil de executar, dá-nos uma excelente ideia, porque ao longo destes 25 anos a lecionar aulas de educação física no ensino secundário, pude verificar uma correlação direta com níveis de força nas flexões de braços e agachamentos, bem como na performance no teste de 40m.

Acabei pesquisando um pouco por curiosidade, a performance de alguns atletas que é pública ou se tornou viral na internet. Encontramos uns resultados incríveis.

Um Jogador de Futebol Americano

Byron Jones 1,85m 90kg (dados oficiais do Combine NFL)

Salto horizontal 3,73m

Salto vertical 1,13m

Um Jogador de Basquetebol 

Justin Anderson 1,98m 104kg (dados oficiais do Combine NBA)

Salto horizontal 2,56m

Salto vertical 96,5cm

Um Jogador de Voleibol

Leonel Marshall Jr. 1,86m 86kg

Registos dizem ter alcançado 3,93m num remate.

Podem não ser reais, mas conhecendo a altura da rede (2,43m) e observando diversas imagens deste atleta no bloco e no remate, impressionam o alcance. Aliás, os jogadores de voleibol demonstram saltos verticais quase sem balanço, verdadeiramente impressionantes.

Um Jogador de Futebol

Dos craques de futebol, não encontramos muitos registos rigorosos. Mas os que mais se popularizaram, foram os do:

Cristiano Ronaldo 1,89m 85kg

Salto com balanço 78cm (Embora os testes sejam diferentes a diferença de performance é evidente).

Existem outros registos referindo 71cm no salto vertical.

Termino com este salto de Evan Ungar (1,79m de estatura), diretamente do Livro do Guiness  saltou 1,61m e aterrou em cima da pilha de pesos sem corrida de balanço.

Algo que verificamos, é que os atletas mais altos nas suas modalidades, não são os que mais saltam.

Fica a publicidade porque não havia vídeo nessa altura: Paulo Sena (174cm de estatura e cerca de 77kg) aos 16 anos fazia 150cm de salto tesoura sem colchão e tocava no aro de uma tabela oficial de basquetebol. Bons tempos! 🙂

Haverá alguma relação com o treino de força? Isso não sei, mas todos estes atletas são conhecidos por bom desempenho na guerra com os pesos dentro do ginásio, porque a força é a capacidade motora base de todas as outras.


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Saturday squats! 6×3 319lbs. 3 weeks out from my jump on TV in the Netherlands!! #MakeTheDecision #jumptheworld #jumpman #GuinnessWorldRecord #worldrecord

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