Psicologia do Desporto – Páginas Pessoais alunos IESF 2016

Na cadeira de Psicologia do Desporto que leciono aos alunos do 6º semestre do curso de educação física e desporto no Instituto de Estudos Superiores de Fafe – IESF, propus a criação de páginas pessoais em torno de um tema que relacionasse desporto e psicologia. Este foi o resultado.

Fabiano Pedro – Capoeira

Francisco Oliveira – Futebol

Hélder Castro – Futebol

Hugo Lemos – Fitness

Hugo Magalhães – Automobilismo

Ivone Castro – Futsal

Joana Alves – Dança

João Bento – Fitness e Futsal

João Sampaio – Fitness

Joel Magalhães – Fitness

José Lucas Fernandes – Karaté

José Rafael Mendes – Fitness

Judite Oliveira – Dança

Luis Freitas – BTT

Márcia Patrícia Magalhães – Desporto Adaptado

Pedro Pereira – Fitness e Futebol

Pedro Machado – Fitness

Ricardo Machado – Futebol

Rui Lopes – Fitness

Tiago Pereira – Futebol

Vitor Araújo – Artes Marciais

Personal Trailers

Estes são pequenos vídeos de apresentação pessoal dos alunos. Apreciem 🙂

Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico – Versão 1.0

Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Versão 1.0

Paulo Sena, PhD

Escola Superior de Educação de Fafe, Portugal

pjrsena@gmail.com

http://www.paulosena.com

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Escrita Académica: Como Elaborar um Trabalho Científico

Um trabalho académico, um trabalho de investigação, tem uma linguagem própria, tem regras da sociedade académica. Embora haja diferenças entre universidades e publicações académicas, no geral, são constituídos por:

Título/Folha de Rosto

O título do trabalho deverá dizer aos leitores qual o tema central do trabalho e seu significado. Muitas das vezes inclui uma espécie de “gancho” ou chamada de atenção e uma descrição breve sobre de que é que trata, incluindo palavras-chave mais comuns na área de investigação em que se centra.

Deverá ainda identificar o autor, a instituição à qual está ligado e incluir um contacto.

Abstract/Resumo

Um sumário do trabalho (cerca de 100-500 palavras). Deverá incluir: objectivos, resultados e conclusões.

Introdução

Na introdução repetimos o título do trabalho em vez de usarmos o título “introdução”.

Primeiro fornece um plano de fundo (background) e motivos para o tema que se está a estudar (habitualmente inclui a revisão da literatura). Depois descreve o objectivo do trabalho. Por último, dá uma visão geral dos conteúdos das várias partes do trabalho. Em termos de escrita, vai do geral para o particular.

Método/Procedimento

Nesta parte descreve-se aquilo que fizemos e como fizemos. O objectivo é dar informação suficiente ao leitor para o caso dele querer replicar o nosso trabalho.

Resultados

Aqui apresentam-se os dados obtidos. Gráficos, tabelas, etc. Deve ser dada alguma descrição aos dados e uma ajuda para o leitor reconhecer os pontos importantes dos dados obtidos.

Discussão/Conclusões

Na discussão relacionamos as nossas descobertas com as dos autores apresentados na revisão da literatura. Pontos em que coincidem os trabalhos dos outros autores ou as grandes diferenças dos trabalhos consultados. Ou simplesmente concluir que não há consenso na matéria…

O objectivo da conclusão é sumariar os seus pontos de vista, deixando exemplos específicos, reafirmar a ideia do trabalho e possivelmente sugerir possíveis investigações futuras acerca do tópico analisado. O texto deverá ser orientado do particular para o geral.

Bibliografia

Aqui apresentam-se todos os livros, revistas científicas, sites, vídeos e outros suportes de dados consultados. Deverá ser uma listagem ordenada por ordem alfabética. Na generalidade, coloca-se:

Último nome do autor, Iniciais dos dois primeiros nomes do autor. (ano de publicação.) Título. Local de publicação: Editora que publicou o trabalho. Aqui ficam alguns exemplos:

Livro. Paloutzian, R. (1996). Invitation to the psychology of religion (2nd ed.). Boston: Allyn and Bacon.

Documentos retirados da web. Hallam, A. Duality in consumer theory [documento em PDF]. Disponível em Lecture Notes Online Web site: http://www.econ.iastate.edu/classes/econ501/Hallam/index.html

Diapositivos. Roberts, K. F. (1998). Federal regulations of chemicals in the environment [diapositivos em PowerPoint]. Disponível em: http://siri.uvm.edu/ppt/40hrenv/index.html

Artigo online. Sena, P. (7 de Dezembro de 2011). Flacidez. Disponível em http://paulosena.com/2011/12/07/flacidez/

Vídeo no YouTube. Burpees a la Tour Eiffel [ficheiro em Vídeo]. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=rmYbaBj-kVc&list=UUucTs2Xq5XIMBpBZN6QegZQ

Citações

Quando queremos adoptar material de outros autores para o nosso trabalho, deveremos citar o autor(es) a data(s) das fontes de onde retiramos a citação. Ou seja, o objectivo é reconhecer formalmente as ideias e palavras dos outros. Exemplos:

Wirth e Mitchell (1994) descobriram que a insulina tinha um efeito…

As revisões sobre a religião e a saúde concluíram que pelo menos alguns tipos de comportamentos religiosos estão relacionados com elevados níveis de saúde mental (Gartner, Larson, e Allen, 1991; Koenig, 1990; Levin e Vanderpool, 1991).

Figuras e Tabelas

As figuras e as tabelas deverão ser numeradas consoante a sua ordem de entrada no texto. As figuras e as tabelas deverão ter um título. O título da figura deverá situar-se por baixo da mesma enquanto o título de uma tabela deverá situar-se por cima desta. Utilizar o formato itálico de forma oposta como neste exemplo:

cropped-Logo_PauloSena2.jpg
Figura 1. Logótipo de Paulo Sena

 

Tabela 1.

Melhores marcadores do campeonato de futebol XX2

Jogador Golos
Paulo 10
Jorge 9

 

Normas de Apresentação

Existem normas de apresentação de trabalhos: a norma portuguesa NP 419.1995, as normas das associações internacionais como a APA, ACS, AMA, CBE, CMS, Turabian, Microsoft e a MLA. Utilizaremos como referência as normas APA – American Psychologycal Association. Mas como as normas são muito complicadas. Apresentaremos um resumo de orientações para que se criem bons hábitos na elaboração de trabalhos escritos.

Determinar Claramente o Objetivo do Trabalho

Antes de realizar a pesquisa para o trabalho, é fundamental compreender o objectivo do mesmo. O professor é que manda, por isso temos de perceber bem o que ele pretende.

Delimitar o Tema

Depois é necessário delimitar o tema.

Exemplos de temas:

  • A natação
  • Os benefícios da natação
  • A natação com idosos
  • Os benefícios da natação em idosos com osteoporose

Nestes exemplos anteriores o primeiro tema é muito vasto, por isso o último seria mais indicado pois delimita muito mais a quantidade de trabalhos a pesquisar.

Recomenda-se que o tema esteja ligado com os objectivos profissionais futuros, para que as descobertas do trabalho e o tempo dedicado sejam úteis e para que não se transforme apenas num documento de avaliação.

Questão de Partida

Após a escolha do tema para o qual poderá ser formulada uma questão de partida, poderá iniciar-se a pesquisa na tentativa de dar resposta a essa questão a esse problema de investigação. Convém ter em atenção ao pesquisar nas diversas fontes (em livros, vídeos, na Internet ou noutros suportes documentais) para se registarem sempre as fontes, os autores, as datas, etc. Esse registo irá depois servir para elaborar a listagem de referências bibliográficas consultadas.

A Revisão da Literatura

Na revisão bibliográfica vamos investigar sobre as opiniões, os trabalhos de investigação de outros autores. Antes de iniciar o processo de escrita, convém criar um índice para ajudar a organizar ideias do geral para o particular. Começamos a escrever a revisão com uma ligeira introdução, uma frase curta e simples. Se necessário, analisar primeiro definições, teorias e modelos antes de sintetizar. Procurar responder no nosso texto às seguintes questões para avaliar trabalhos de outros autores sobre os quais incide a nossa revisão:

  • O problema está apresentado de forma clara?
  • Os resultados apresentados são novos?
  • A amostra utilizada era grande?
  • Os argumentos são convincentes?
  • Como foram analisados os resultados?
  • Qual a perspectiva como eles foram vistos?
  • As generalizações são justificadas pelas evidências sobre as quais elas são efectuadas?
  • Qual é a significância da investigação?
  • Quais são as assunções por detrás da investigação?
  • A metodologia está bem justificada como a mais apropriada para estudar o problema?
  • A base teórica é transparente?
  • Quais as forças e fraquezas dos trabalhos revistos?
  • Quais as diferenças genuínas entre as teorias apresentadas nos vários trabalhos?
  • Elaborar um quadro final a sintetizar o que os outros fizeram.
  • Isolar e salientar as descobertas que são relevantes para a temática que estamos a estudar.

Atenção: não se fala do problema, apenas mostramos aquilo que os outros fizeram. Apresentar as ideias principais do estado da arte mas sem incluir as nossas ideias.

Podemos organizar a revisão da literatura de forma cronológica ou temática.

Por ex.: se houve várias teorias da liderança podemos organizar sub-títulos em torno delas. Demonstrar que consideramos os trabalhos dos outros e revelar poder de síntese e fazer uma leve avaliação do trabalho dos outros. Ao avaliar criticamente estamos à procura das forças de certos estudos e a significância das contribuições dos investigadores.

Frases de Início e Expressões Úteis

Quando começamos a escrever, por vezes, é difícil começar. Para tal, podemos procurar trabalhos de mérito, boas referências e retirar estruturas de frases mais comuns. Aqui ficam alguns exemplos que poderás utilizar com as devidas adaptações:

Introdução

… é um importante componente de…

O ponto central da disciplina de… é…

… é um assunto de crescente importância em…

Desenvolvimentos recentes na… demonstraram a necessidade de…

Desenvolvimentos recentes no campo da… levaram a um renovado interesse pela…

Este estudo contribui para…

No último século, houve um grande declínio…

Recentemente tem havido um crescente interesse por…

Até à data tem havido pouco consenso sobre…

A controvérsia sobre… tem existido nos últimos 30 anos…

Um assunto que tem dominado a área X durante os últimos anos…

A questão da… tem aumentado em termos de importância…

A maioria dos estudos de… foi apenas centrado na…

Até agora, pouca importância tem sido dada a…

Até agora, este método foi apenas aplicado a…

Revisão da literatura

Foi publicada já uma quantidade considerável de literatura sobre X…

No entanto, existem poucos trabalhos sobre…

Numerosos estudos argumentam que…

Vários estudos revelaram que…

A investigação até à data tende a focar-se em…

Dados de vários estudos identificaram a…

Tem sido sugerido que…

Tem sido conclusivamente demonstrado que…

Tem sido demonstrado que…

Pensa-se que…

Outros estudos consideraram a relação entre…

O primeiro estudo sistemático de… foi relatado por…

O estudo de X foi iniciado por…

Uma análise detalhada de… por Rodrigues (2015)… mostrou que…

Num estudo aleatório (randomizado)…

Num estudo comparativo, Rodrigues (2014) encontrou…

Esta visão é suportada por Rodrigues (2014), que argumenta…

Um problema chave com este argumento é…

No entanto, existe alguma inconsistência neste argumento apresentado…

A interpretação de Rodrigues (2014)…

No entanto, uma questão que tem de ser colocada…

Um problema com esta abordagem é…

A principal limitação deste estudo é…

No entanto, este método de análise tem várias limitações…

No entanto, a investigação não tem em conta o seguinte…

O autor não explica…

As principais lacunas deste estudo são…

Estudos anteriores apenas se focaram…

Muita da literatura recente não…

A literatura não apresenta um consenso sobre X, o que significa que…

A literatura actual apresenta vários exemplos de…

Segundo Santos (2012), os desportos colectivos são muito mais benéficos do ponto de vista educativo, por isso…

Jordan (2014) salienta que…

Jordan (2014) argumenta que…

Jordan (2014) conclui que…

Jordan (2014) sugere que…

Jordan (2014) propõe…

Rodrigues (2012) defende a ideia…

Rodrigues (2012) comenta…

Rodrigues (2012) cita…

Rodrigues (2012) olha para o trabalho de Santos (2014)…

Rodrigues (2012) acredita que…

Rodrigues (2012) lança a hipótese…

Rodrigues (2012) ataca…

Rodrigues (2012) condena…

Rodrigues (2012) refuta…

Embora tenha havido relativamente pouca investigação sobre X…

Nos últimos X anos a investigação tem disponibilizado um amplo suporte da ideia X…

A investigação actual parece validar a hipótese/ideia…

A investigação nesta área ainda é insuficiente para concluir acerca de…

Esta visão também é proposta por Jordan (2013), que refere…

O trabalho de Jordan (2013) é complementado pelo estudo dos desportos colectivos de Santos (2012)…

Ao contrário de Jordan, Rodrigues (2011) argumenta que…

Método

O procedimento foi…

Foi escolhida uma abordagem X porque…

Esta metodologia tem uma série de vantagens, tais como:

As limitações aos procedimentos do estudo incluem…

Os dados foram obtidos de…

… foi preparado de acordo com o procedimento delineado por…

A amostra inicial consistiu em…

O critério para seleccionar os indivíduos foi o seguinte:

Para incrementar a fiabilidade…

Resultados

Nota-se na Tabela 1 que…

Os dados na Figura 2 indicam que…

Encontrou-se uma forte evidência…

Encontrou-se uma correlação positiva entre… e…

Os resultados, como se verifica na Tabela 2, indicam que…

Não se encontrou uma forte redução em…

A maioria dos inquiridos referiu que…

Um pequeno número dos entrevistados indicou que…

Uma comparação entre os dois grupos revela que…

Discussão

Ao contrário daquilo que se esperava, este trabalho não encontrou diferença significativa entre…

Este resultado foi inesperado e sugere que…

Os resultados do presente estudo estão de acordo com os resultados de…

Existem similaridades entre este trabalho e o de…

Estes resultados sugerem…

Ao contrário de resultados anteriores…

Existem várias explicações para este resultado. Por exemplo:

Esta inconsistência pode dever-se a…

Os dados devem ser interpretados com precaução porque…

Este resultado tem implicações em…

Conclusões

O objectivo da presente investigação era…

Este estudo demonstrou que…

Uma descoberta importante deste estudo é…

Os resultados são significativos em 3 aspectos:

Em geral… Por isso, os resultados mostram…

Os resultados deste trabalho mostram confirmam anteriores resultados obtidos por…

No entanto, necessitam ser consideradas algumas limitações. Por exemplo:…

A investigação estava limitada de várias formas.

Várias limitações têm de ser reconhecidas.

Futuras investigações deverão orientar-se no sentido…

A investigação futura deveria concentrar-se em…

É necessária mais investigação para compreender…

Os resultados deste trabalho têm a seguinte implicação…

Recursos

https://scholar.google.pt/

http://www.efdeportes.com/

https://owl.english.purdue.edu/

http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/

http://www.besttitlegenerator.com/

http://www.luizotaviobarros.com/2013/04/academic-writing-useful-expressions.html

Bibliografia

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Morley, J. (2015). Academic Phrasebank: referring to sources. Retirado de: http://www.phrasebank.manchester.ac.uk/referring-to-sources/

RMIT University. (2014). Study tips – research writing: starter phrases. Retirado de: https://emedia.rmit.edu.au/learninglab/sites/default/files/Research_Starter_phrases_2014_Accessible.pdf

Taylor, D. (2001). The literature review: a few tips on conducting it. [Online]. Disponível em: http://www.utoronto.ca/writing/tirev.html [10 Fevereiro 2004].

Psicologia do Desporto, PNL, Coaching e Hipnose

O prazer surge na fronteira entre o aborrecimento e a ansiedade, quando os desafios estão bem equilibrados com a capacidade de agir de alguém. – Mihaly Csikszentmihalyi

A Psicologia do Desporto: uma área de crescente importância. 

Desde muito cedo o desporto foi utilizado como forma de educar as pessoas. Para Fitz (1897) a prática desportiva (jogar) era um meio de se preparar para a vida, por promover a capacidade de decisão, habilidade de perceber as condições corretamente e a habilidade de reagir rapidamente a um ambiente mutável.

Pessoas e factos marcantes 

Em 1898, Norman Triplett realiza um estudo com ciclistas onde conclui que os corredores que competiam contra outros, obtinham melhores resultados.

Edward Scripture (1864-1945), um psicólogo da Yale University, estuda o tempo de reação dos corredores.

Em 1920 Carl Diem cria o primeiro laboratório de psicologia do desporto na Alemanha.

Em 1925 Coleman Griffith da University of Illinois cria também um laboratório dedicado à psicologia do desporto e mais tarde escreve dois livros marcantes: Psychology of Athletics (1928) e Psychology of Coaching (1926).

Em 1938, Coleman Griffith começa a trabalhar como consultor nos Chicago Cubs, tornando-se um dos primeiros psicólogos desportivos a trabalhar no desporto profissional.

Nos anos 40, em Portugal, já o Instituto Nacional de Educação Física incluía cadeiras de psicologia aplicada ao desporto nos seus cursos. Aníbal Costa, Alves Vieira, Noronha Feio e António Paula Brito foram algumas das primeiras referencias da área em Portugal.

Em 1947, Tim Gallwey um jogador da equipa de Ténis da Harvard University, publica o livro The Inner Game of Tennis, revolucionário e surpreendente que depois extrapolou os seus conteúdos até à área empresarial. No documento, o autor partilha como começou a explorar formas de focar a mente do jogador na observação direta e sem julgamento no corpo, na bola e raquete, de uma forma que dava relevo à aprendizagem, à performance e ao prazer do processo. Esta abordagem de tomada de consciência permitia que os jogadores amadores se desenvolvessem fisica e instintivamente sem muitas instruções técnicas específicas. Cada jogo compõe-se de duas partes: um jogo exterior e um jogo interior. O primeiro é jogado contra um adversário para superar obstáculos externos e atingir um objetivo. O jogo interior desenrola-se na mente do jogador contra obstáculos como falta de concentração, nervosismo, ausência de confiança, autocondenação, tudo hábitos que impedem um bom desempenho.

Em 1965 foi criada na europa a International Society of Sport Psychology (ISSP).

Em 1966, Bruce Ogilvie e Thomas Tutko, escreveram Problem Athletes and How to Handle Them. Ogilvie estudou mais de 250 desportistas de alto nível nos anos 70.

Em 1967 funda-se a North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity (NASPSPA).

Em 1979 o Journal of Sport Psychology começa a publicar as diversas investigações realizadas nesta área de estudo.

Nos anos 80, os artigos de Rainer Martens ajudaram a promover a psicologia do desporto. O professor da University of Illinois havia criado a famosa editora Human Kinetics em 1974 por falta de uma editora que publicasse as atas da conferencia da NASPSPA em 1973.

Em 1987 fundava-se a divisão 47 da American Psychologycal Association – Sport & Exercise Psychology.

Como mente e corpo não existem por separado e interagem entre si, o estudo dos comportamentos humanos em ambiente desportivo tem vindo a ser um fenómeno cada vez mais estudado. A incorporação da psicologia do desporto na década dos 80, foi talvez um dos elementos mais destacáveis do recente panorama investigador (Singer, Hausenblas y Janelle, 2001).

Definição

A psicologia do desporto aplicada (American Psychological Association Division 47 [APA], 2014) é o estudo e aplicação dos princípios psicológicos à performance humana para ajudar os atletas a obterem uma performance consistente na faixa superior das suas capacidades e para desfrutar de forma plena do processo de performance desportiva. Os psicólogos aplicados são treinados e especializados para participarem numa ampla gama de atividades, incluindo: a identificação, desenvolvimento e execução do conhecimento mental e emocional, dos skills e habilidades requeridas para a excelência nos domínios atléticos; a compreensão, diagnostico e prevenção dos inibidores psicológicos, cognitivos, emocionais, comportamentais e psicofisiológicos para uma performance excelente; e a melhoria dos contextos atléticos para facilitar um desenvolvimento mais eficiente, uma execução consistente e criar experiencias positivas nos atletas.

Para Dosil (2004, p.13) a psicologia da atividade física e do desporto é uma ciência que estuda o comportamento humano no contexto da atividade física e desportiva, e como disciplina das ciências da atividade física e do desporto, guarda uma relação estreita com todas as que se enquadram nesse âmbito, aportando os conhecimentos psicológicos e desta forma, completando e enriquecendo as contribuições próprias de outras ciências como a medicina, a sociologia ou o direito. É portanto uma psicologia aplicada. Assim, Weinberg e Gould (2011) resumem a psicologia do desporto e do exercício físico como um estudo científico de pessoas e seus comportamentos em atividades físicas e desportivas.

A intervenção da psicologia no desporto

Como não existem muitas licenciaturas em psicologia do desporto em todo o mundo, pode ser difícil determinar qual a melhor combinação de formação, treino e experiência que qualificam o psicólogo desportivo. No entanto, a Divisão 47 da APA sugere que os psicólogos do desporto sejam licenciados em psicologia com experiência na aplicação dos princípios psicológicos nos cenários desportivos.

O psicólogo do desporto normalmente faz parte de uma equipa de trabalho e pode especializar-se numa modalidade desportiva, sendo uma atividade desafiante e estimulante. Mas o trabalho de equipa cria enormes desafios pelos condicionalismos impostos pelos líderes das equipas, sobretudo nos desportos coletivos. É por isso uma tarefa de trabalho para indivíduos que gostem de trabalhar em equipa. Requer boa formação, muito treino e experiência, bem como a criação de uma forte rede social no desporto onde intervém, porque as oportunidades para licenciados e incluso mestres, são muito limitadas.

Para a intervenção do psicólogo desportivo ser eficaz com os desportistas, existem alguns pressupostos:

  • que os atletas gostem dele como pessoa
  • que não seja visto como dominador
  • seja flexível na sua ação
  • tenha treino como terapeuta
  • tenha experiência
  • que se enquadre na modalidade, na situação competitiva
  • mostre sensibilidade para as necessidades individuais dos atletas
  • não imponha metodologias iguais para todos
  • contacte os atletas com alguma frequência e encontre tempo para situações de 1 para 1
  • faça poucos discursos teóricos
  • evite aplicar questionários e fichas antes das competições e numa fase inicial de conhecimento mútuo
  • evite ser demasiado observador/controlador dos atletas
  • evite timings de intervenção inadequados (por exemplo próximo de eventos importantes) sem conhecer os atletas previamente
  • disponibilize tempo suficiente para dar feedbacks.

A psicologia do desporto continuará a ser uma área de intervenção polémica pela sua inegável importância, pela sua fraca imagem perante o público em geral e perante os desportistas em particular que ainda veem o psicólogo do desporto como alguém a quem recorrer quando têm problemas em vez de o verem como um técnico que ajuda a melhorar o rendimento humano. Se verificarmos a evolução desta ciência, podemos confirmar que houve nestes cem anos muito foco no problema e esta abordagem criou a imagem da psicologia do desporto. Acresce o facto de muitos psicólogos não se terem integrado adequadamente no universo desportivo e terem uma abordagem muito clínica das situações. Mas alguns profissionais estão a mudar tudo isto no terreno.

A psicologia e outras tecnologias de intervenção no desporto

Programação Neurolinguística – PNL

Supostamente a Psicologia e a PNL têm abordagens comuns e procuram modelar os melhores treinadores e professores, registando os princípios psicológicos que os desportistas de elite utilizam, para posteriormente passarem estas estruturas mentais aos novos professores e treinadores. No entanto, a psicologia é considerada uma ciência, enquanto a PNL, embora popular continua a causar controvérsia. A inexistencia de investigações imparciais e independentes fazem com que a PNL não seja admitida pela comunidade científica mais inflexível. No entanto,  continua a ser uma ferramenta de intervenção muito útil, bastante utilizada mesmo quando se diz o contrário, porque está focada na modelagem de comportamentos e na linguagem como agente de mudança. Aliás, vários estudos académicos têm por base algumas das chamadas pressuposições da PNL e parte dos procedimentos da psicologia não têm provado ser assim tão eficazes. Talvez o grande erro da NLP seja a afirmação da rapidez e poder dos seus processos terapêuticos. Naturalmente a comunidade científica não pode reconhecer processos pouco estudados, embora parte destes se confundam com os da psicologia científica. E como todo o conteúdo mental é demasiado volátil e interage com o fisiológico, tornará sempre difícil o seu estudo mesmo em laboratório.

Hipnose

A American Psychological Association – APA (2016) define como uma técnica terapêutica, um estado de consciência que envolve atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão. Embora seja controversa, segundo a APA a maioria dos clínicos está de acordo que pode ser uma poderosa e eficaz técnica terapêutica para uma ampla variedade de condições, incluindo dor, ansiedade e outros transtornos de humor. A hipnose pode também ajudar as pessoas a mudar os seus hábitos. Embora a comunidade científica admita mais a sua utilização é por vezes colocada no mesmo patamar da PNL.

“Perguntas de qualidade criam qualidade de vida. Pessoas de sucesso fazem as melhores perguntas e, como resultado, recebem as melhores respostas” – Anthony Robbins

Coaching

Outra ferramenta reconhecida pela psicologia é o coaching onde o coach ajuda o coachee a ir do ponto A ao ponto B que foi definido pelo cliente (coachee). Nesta abordagem em vez do treinador assumir o poder sobre as pessoas, procura através de questões poderosas que o cliente descubra o poder que tem dentro, que encontre as respostas para os seus problemas/desafios. Ou seja, o coach evita impor conteúdo. Este pressuposto enquadra-se bem na PNL. Daí as vermos associadas frequentemente. Mas ao contrário da PNL, o coaching tem diversas organizações formadoras e métodos variáveis, gerando por vezes abordagens confusas todas categorizadas como coaching.

O coach ajuda a: clarificar e definir adequadamente um objetivo e metas intermédias; identificar o porquê desse objetivo para que durante toda a ação haja força para continuar o caminho; controlar o processo; identificar os obstáculos; identificar recursos humanos e materiais disponíveis para levar a cabo a dita viagem até ao ponto B. É importante perceber que os clientes, os desportistas só necessitam um coach por: falta de disciplina, falta de método e inexistencia de um processo de controlo. Logo, a ação do coach deverá estar focada nesses aspectos e não nos porquês das coisas nem na imposição de formas de atingir os objetivos do cliente. Como o seu trabalho é feito com perguntas é normal que este utilize uma técnica que a PNL chama de meta-modelo.

Uma grande invenção é algo útil, fácil de executar e que faz uma enorme diferença para a humanidade. Não interessa tanto aquilo que é, mas sim aquilo que faz. – Manoj Bhargava

Dos rótulos à intervenção

Por muito que se procure definir, delimitar, estabelecer fronteiras, conceitos, rótulos, no final o objetivo é intervir no sentido de mudar o estado do desportista para que este altere os seus comportamentos no sentido positivo. Perante isto, temos de usar a tecnologia existente e criar formas de intervenção que resultem com utilizadores de ginásios, atletas, desportistas de fim-de-semana e equipas. No fundo, temos de tornar a tecnologia útil.

As ferramentas de intervenção mental necessitam treino na sua aplicação, porque, tal como acontece com as flexões de braços, os resultados só poderão ocorrer com a sua prática regular. A psicologia do desporto, o treino mental faz-se no dia-a-dia e deverá estar integrado em todos os processos de preparação de um desportista.

Agora vamos descobrir como é que a as tecnologias de intervenção mental podem ser úteis para melhorar a adesão ao exercício e o rendimento desportivo dos treinadores e dos praticantes, transformando os problemas em desafios. Utilizando abordagem bio-psico-social do indivíduo e sempre num equilíbrio entre a teoria e a prática.

Bibliografia

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American Psychological Association. (2016). Hypnosis Today – Looking Beyond the Media Portrayal. Retirado de: http://www.apa.org/topics/hypnosis/

Dishman, R.K. (1983). Identity crises in North American sport psychology: Academics in professional issues. Journal of Sport Psychology, 5, 123–134.

Dosil, J. (2004). Psicología de la actividad física y del deporte. Madrid: McGraw-Hill.

Fitz, G. W. (1897). Play as a factor in development. American Physical Education Review, 2, p.209-215.

Gallucci, N. (2014). Sport Psychology: performance enhancement, performance inhibition, individuals, and teams (2nd ed.). New York: Psychology Press.

Greenwood, J. (2009). A conceptual history of psychology. Boston: McGraw-Hill.

Martens, R. (1979). About smocks and jocks. Journal of Sport Psychology, 1, 94–99.

Singer, R., Hausenblas, H., e Janelle, C. (2001). A brief history of research in sport psychology. In R. Singer, H. Hausenblas e C. Janelle (Eds.). Handbook of sport psychology (pp. xiii-xix). New York: John Wiley & Sons.

Triplett, N. (1898). The dynamogenic factors in pacemaking and competition. American Journal of Psychology, 9, 507-533.

Weinberg, R. e Gould, D. (2011). Foundations of sport and exercise psychology (5th ed.). Champaign, IL: Human Kinetics.

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Zaichkowsky, L. e Perna, F. (1992). Certification of consultants in Sport Psychology: a rebuttal to anshel. The Sport Psychologist, 6, 287-296.