Desafio do dia – Corrida São Silvestre Porto 2017

Pela 4ª vez, voltamos a fazer a São Silvestre. Desta vez, para além do magnífico ambiente, teve algo de especial, pois corri com o meu filho André [Sena Power]. Num ano com poucos treinos de corrida, tive boas sensações: sem dores de joelhos ou costas, apenas um cansaço geral como senti há 7 anos atrás na minha primeira participação. Penso que o ano de treino regular de agachamento e peso morto contribuiu para isso. As sapatilhas de futsal com que corri não foram certamente a ajuda 🙂 Tinha expectativas muito baixas após uma noite atribulada com 5h de sono interrompido pelos outros meus 3 filhotes. Mas afinal até foi uma boa performance. Longe de recordes pessoais foi possível desfrutar de todo o ambiente da prova com um tremendo calor humano de participantes, mas sobretudo de espectadores espalhados pelos 10kms. Pareceu-me que havia mais gente ainda do que no ano anterior. E na saída do túnel parecia que estava a entrar para um estádio cheio. É sem dúvida uma das melhores formas de quebrar a época das comidas de Natal e começar a treinar regularmente. Espero voltar e quem sabe um dia com 65 anos correr com os meus 4 filhos 🙂

Resultado: 1h06m27s Classificação Geral 6923 Posição no escalão 760

Desafio do dia – Corrida São Silvestre Porto 2016

Que bom voltar a um desafio de que tanto gosto. Na minha cidade, correndo ao lado de muita gente com ambiente de Natal. Depois de quase um mês metido em casa sem poder fazer quase nada, com meia-dúzia de treinos, foi bom marcar este ponto de viragem.

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Desafio do Dia: Corrida São Silvestre do Porto

Paulo Sena, aquecendo para a São Silvestre

Foi com grande alegria que ontem participei na corrida de São Silvestre no Porto. Há muito tempo que pretendia fazer este percurso. Tinha acumulada a frustração das inscrições esgotadas em 2009. A corrida faz parte do meu processo de treino, mas o percurso que habitualmente utilizo é relativamente plano e tem uma distância aproximada de 7kms. Nesta prova o desafio era constituído pelo relevo do percurso, a distância superior, a hora da corrida e a ansiedade criada pelo ambiente competitivo.

Milhares de participantes de todas as fisionomias, experiência de treino e escalões etários, tornam a prova riquíssima, permitindo verificar o nosso nível quando comparado por pessoas que julgamos mais fortes e não o são, ou por pessoas que aparentemente julgamos como mais fracas e são todo o contrário.

A presença do público tem efeitos curiosos sobre nós e sobre os outros. Na primeira das duas voltas, apercebemo-nos do ambiente de festa, mas na segunda volta, menos “aconchegados” pela presença de outros participantes, apercebemo-nos da importância do incentivo exterior. Embora as sensações de esforço sejam mais intensas devido a algum cansaço, é possível sentir a força do ambiente exterior pela interpretação que lhe damos (quer seja por termos vergonha da performance do momento, quer seja pelas frases de incentivo escutadas). Voltei a aplicar técnicas de meditação numa fase mais difícil da prova e de maior isolamento. A busca de um ritmo liderado por alguém, transformou-se numa espécie de contra-relógio liderado pelas sensações corporais próprias e por uma gestão da distância a percorrer e do relevo dado a conhecer pela primeira volta do percurso.

Foi mais uma aprendizagem, mais um teste e mais uma observação no terreno das especificidades do desafio de uma prova de atletismo de rua. A cultura dos seus participantes, a forma como se vestem, como comunicam, como comentam e reagem ao ambiente, como realizam o seu aquecimento, ou como dão importância a aspectos que noutras modalidades têm uma relevância completamente distinta, é de facto muito interessante.

O tempo que tardei em cumprir a prova esteve dentro das perspectivas iniciais. Sabia que corria semanalmente a 10km/h aproximadamente, sabia também que o ritmo seria mais baixo na subida e mais forte na descida, sabia que as exigências musculares sobre os gémeos e flexores da anca nas subidas seriam bem diferentes daquelas sentidas nos percursos planos, sabia que as descidas implicariam maior impacto, sabia que o piso duro mas variado pelo empedrado irregular, traria um estímulo diferente do habitual. Todo esse conhecimento, ou expectativa inicial, a minha interpretação dessas situações, colocou uma expectativa, uma dose de ansiedade, que foram geridas ao longo da prova que teve um momento único para mim, ao ser “dobrado” por atletas de nível internacional que terminaram a prova em 29’17”, face à minha hora, três minutos e sete segundos (posição 1951 da classificação geral). Delicioso ver a sua técnica de passada activa ao tocar o solo, especialmente na descida. Estimulante também pela interpretação que dei ao momento: “- Estou numa prova de atletismo de grande nível! – Vou chegar ao fim!”. Foi mesmo a partir desse momento que entrei verdadeiramente em prova. Digamos que, o deslumbramento, a dúvida e as perguntas na minha mente, deram lugar a meditação (mente vazia) e a decisões estratégicas de dar o máximo na segunda volta, procurando pessoas com ritmo de referência e impondo em mesmo, um ritmo que me permitiu ultrapassar centenas de participantes trazê-los comigo e impedir de ser ultrapassado em toda a segunda volta. As sensações corporais intensas foram controladas pelo bem-estar criado pelo avanço metro a metro.

No final, a promessa cumprida com os famosos burpees em frente a um dos símbolos da minha “aldeia”. E o extraordinário que foi, comprovar a sensação de poder fazer muito mais do que fiz se a tal fosse obrigado. Senti-me capaz de fazer mais uma volta ou uma batelada de burpees. É nestes desafios (no caso de longa duração) que verificamos a permanente união mente-corpo e a aplicação dos conhecimentos adquiridos na Meditação Vipassana e nos nossos treinos semanais. Recomendo vivamente, até porque, correr acompanhado é muito melhor.