30 Mentiras Clássicas da Indústria do Fitness 

Não é possível mudar a forma dos teus músculos. Eles aumentam, mantêm-se ou diminuem de volume, mas a sua forma não muda. Rich Piana

fat_reducerNão é de hoje, podemos recuar mais de 100 anos para verificar que a tentativa de vender qualquer coisa a todo o custo, levou sempre a muita mentira e desilusão na indústria do fitness. Desde Eugene Sandow a vender os seus produtos, às máquinas de venda por correspondência, este mundo do fitness, esteve e continua cheio de falsas promessas. Por isso, um dos primeiros passos para vencer a flacidez, é refletir e eliminar as clássicas mentiras da indústria. Eu diria mesmo que, grande parte destas ideias, tornam os ginásios flácidos nas suas taxas de retenção e nas frequências médias semanais dos sócios.

  1. Vamos mudar a forma dos seus músculos. A forma dos nossos músculos, a proporção entre o ventre muscular e os tendões, não é treinável. Não conseguimos transformar um bicípite curto com tendões longos na situação oposta. Era o que todos desejavam, pois, as pessoas com barrigas musculares grandes e tendões curtos, têm maior potencial para o desenvolvimento de força.
  2. Exercícios secretos. Exemplo: leg press com barra, deitada no chão ou leg press na smith machine, ou uma parafernália de movimentos resgatados ao passado, que daqui por 2 ou 3 anos passarão de moda.
  3. Máquinas/Aparelhos “Recentes” de Última Geração. Grande parte da parafernália de ideias e artefactos usados no fitness existem há dezenas e até centenas de anos. Por vezes alteramos o seu aspecto, “roubamos” às clínicas de fisioterapia, revitalizamos elásticos dos anos 70, eletroestimulação corporal do século XIX, máquinas de cabos centenárias, cavalos mecânicos, dispositivos de estiramento da coluna e suplementação outrora experimentada e posteriormente esquecida.
  4. Os alongamentos previnem lesões e aceleram a recuperação. O esquecimento parece ser a chave para soluções de vendas de produtos com ciclos de vida tão curtos quanto a possibilidade das pessoas verificarem a sua ineficácia ou o facto da ideia que a suporta ser pouco sólida. Veja-se inclusivé a ideia do treino de flexibilidade: o American College of Sports Medicine (2014), refere que o treino de flexibilidade pode levar a hipermobilidade, perda de força, ineficácia na prevenção de lesões e tem efeitos temporários. Alongar os músculos produz sensações agradáveis, mas do ponto de vista prático e do ponto de vista científico, não vai muito para além disso. No final de uma atividade intensa, não é o momento adequado para alongar a musculatura aos limites porque existe risco de lesão, devido à incapacidade mecânica e química nesse momento dos músculos trabalharem de forma equilibrada como fazem após a ativação inicial. Só perdemos flexibilidade se não usarmos as articulações em toda a sua amplitude. Logo, mais importante do que passar horas a fazer alongamentos, necessitamos de realizar as flexões de braços, os agachamentos, os exercícios na sala de musculação e nas aulas de grupo em amplitude total de movimento de forma segura. Se não o fizermos, iremos “perder flexibilidade” e não vamos estimular força em todos os ângulos articulares. Claro que, se praticamos modalidades como a corrida, na qual não usamos toda a amplitude que o o joelho ou o quadril permitem, iremos habituar de tal forma a nossa musculatura a trabalhar em ângulos reduzidos que, depois, deixaremos de ter capacidade para facilmente flectir o tronco à frente ou agachar como fazíamos quando crianças. Pode tudo isso parecer inútil, mas se pensarmos que, por necessidade do terreno onde corremos, tivermos de efetuar mais 20 ou 30 graus de flexão no joelho de forma rápida, os músculos da perna e da coxa, não estarão preparados em termos de força e amplitude de movimento e iremos correr maior risco de lesão. Ou seja, há formas de treino às quais é dada demasiada importância com terceiras intenções.
  5. Exercícios para tonificar [XXXX]. A força é a capacidade motora que mais impacto tem nas outras capacidades como a resistência, a velocidade, a potência e mesmo a flexibilidade (se usarmos boas amplitudes nos exercícios, é claro). Portanto, há mais vantagens para além da “tonificação” com treino de força. Mostrem lá como o cérebro distingue esses movimentos.
  6. Culturista natural. Durante alguns anos, ainda acreditei que era possível atingir os corpos dos culturistas com os programas de treino, as dietas, mas quando descobri que tinham ajudas químicas, fiquei muito desiludido, porque não era o caminho que eu queria traçar. Tinha duas possibilidades: desistir, ou encontrar uma via que, embora não obtivesse resultados similares, permitisse pelo menos bons resultados em proporção com o esforço e a dedicação colocadas no processo. As drogas são usadas em todos os desportos de alta competição, independentemente do público saber ou não. Nenhum patrocinador quer apoiar um atleta que diga usar drogas, mas nenhum patrocinador vai apoiar um atleta comum. Eles querem físicos e performances dignas de super-heróis. De qualquer modo, para atingir as performances e os físicos de campeão, as drogas não chegam, é necessário muito sofrimento. São grandes sacrifícios fora do ginásio, muito mais do que dentro dele. continuo a admirar algumas dessas pessoas. Só não gosto que enganem os jovens, o público dizendo que com uma determinada dieta e forma de exercitar o corpo, vão conseguir os mesmos resultados. É fácil verificar a diferença de físicos dos anos 70-80 para agora. Ainda acreditam no Pai Natal? Boa sorte!
  7. Podes ter a figura do tipo do anúncio sem esteróides. Claro que podes, se fizeres o que eles fazem: dieta monótona e rigorosa, fome, ou comer até quase ao vómito, suportar níveis de toxicidade limites, problemas de sono, grande acidez muscular nos treinos e correr riscos. É alta competição. A única coisa que eu gostaria, é que, quando morrem culturistas e atletas famosos pelas imensas capas de revista, divulgassem os seus diários, para compreendermos e aprendermos como fazer e como não fazer. As proporções corporais: relação pernas, tronco, a forma dos músculos, o comprimento dos ossos, não se altera com o treino. Por isso, a estética depende demasiado da genética. Claro que, se eu quiser vender um programa de treino abdominal, vou escolher um modelo com excelente genética abdominal. Depois é só intitular: Como treinar para uma cintura fina. Muitas das vezes perguntam-me o que faço para os meus gémeos, tal como fazia quando entrei para o ginásio há 30 anos. Resposta: – zero treino específico! Talvez totalize pelos dedos das mãos os treinos que fiz com esse objetivo durante toda a minha vida. Em 2015, talvez o principal responsável por fazer do culturismo uma indústria (Arnold Schwarzenegger, dizia: – costumava ser… tu tens de ter um corpo em forma de V, agora não sei, é como um corpo em forma de garrafa ou algo assim.
  8. Níveis baixos de gordura como vemos nos culturistas e nas capas das revistas, são saudáveis. Existem várias formas de analisar a composição corporal. Há métodos como a bio-impedância cujo erro pode superar 10%
  9. Faz muito exercício cardiovascular em máquinas para perder peso e perder gordura. 
  10. As estrelas com 6-pack conhecem técnicas e exercícios especiais para alcançares os mesmos resultados deles. Muitas dessas pessoas, devem os seus resultados a fármacos e à sua genética.
  11. Os culturistas crescem bebendo imensos batidos de proteína. Nem o excesso de proteína se converte em músculo, nem comer sem treinar melhora a figura ou a funcionalidade do indivíduo.
  12. Tonifica os teus músculos com o treino XPTO. O tónus muscular é o grau de tensão que os músculos têm em repouso. Eles ficarão mais “duros” se forem capazes de levantar cargas mais elevadas. Ou seja, o treino de força é a solução.
  13. Necessitas suplementos para ficar em forma. Poderá haver alguns suplementos que nos ajudem, mas antes deles existirem de forma massiva como agora, havia corpos fantásticos e gente com elevada performance atlética em termos de força e endurance sem os utilizar. Se os suplementos fossem tão bons quanto dizem ser, a toma de drogas não aumentava.
  14. Queima a gordura abdominal com estes exercícios/treino especial. Para que os depósitos de gordura desapareçam, é necessário criar a médio/longo prazo um défice calórico.
  15. Transforma gordura em músculo. Impossível do ponto de vista biológico.
  16. Faz muitas refeições ao longo do dia. Do ponto de vista de saúde, nada prova a necessidade de comer de 2 em 2 horas, até porque o sistema digestivo concorre com os músculos quando está em permanente trabalho.
  17. Toma proteína imediatamente após o treino. Que tal tomares hidratos de carbono? Os teus músculos são o maior armazém de energia do teu corpo e agora estão sem glicogénio.
  18. Necessitas muita proteína para crescer músculo. Já alguém conseguiu provar que necessitamos 3 a 4 gramas de proteína por cada kg de peso corporal?
  19. Os agachamentos são maus para os joelhos e alargam a cintura. Nascemos a caber fazer agachamentos. Quando temos 2 anos de vida, fazemos centenas com uma técnica perfeita e ninguém nos ensinou. Um exercício que nasce connosco é o melhor exercício para fortalecer joelhos, anca e cintura. Talvez a má técnica e muitos saltos, sejam o teu problema.
  20. O peso morto dá cabo das costas e alarga a cintura. Levantar peso do chão é um movimento funcional. A maioria da população tem os glúteos e zona lombar enfraquecidos. Como são enormes massas musculares, com enorme capacidade de produzir força, necessitas exercitar com cargas significativas. Milhares de pessoas com problemas de coluna protegem-se usando o peso porto para tornar a sua coluna mais forte.
  21. Aumenta 5kg de músculo em 5 semanas. Para aumentar de massa muscular, temos de estimular os músculos com movimentos de grande impacto local mas sobretudo sistémico. Temos de comer mais do que aquilo que gastamos. Entrar num estado catabólico implica também acumular alguma gordura. Se fosse fácil, todos conseguiam com o mínimo peso, o mínimo esforço e programas de treino para acamados.
  22. Vai ser fácil. Treinar é sair da zona de conforto, obrigar o corpo a fazer algo ao qual não está habituado. Implica alguma dor.
  23. Os especialistas sobre exercício físico e desenvolvimento muscular, são aqueles com melhor aparência física. A maioria são académicos que estudam muito, mas nem sempre aplicam.
  24. Necessitas grande variedade de exercícios no treino. Se a variedade for excessiva, não dominas a técnica, logo, não será possível aplicar o princípios de sobrecarga de forma adequada. Se variares demasiado os exercícios, estarás permanentemente com dores musculares. Isso é muito mau para todo o teu corpo. Por isso a rabdomiólise ataca tanto os crossfitters.
  25. Há um segredo para atingires um físico de classe mundial. O verdadeiro segredo atual são os esteróides anabolizantes. Se queres usar, aconselha-te bem, porque é quase sempre uma terapia para o resto da vida.
  26. Toda a gente consegue atingir os resultados dos campeões com dedicação e esforço. E a sua genética e os seus preparadores e os seus alimentos especiais 🙂
  27. Conhecemos a melhor dieta pra obteres resultados. A dieta da moda há 40 anos atrás eram 3 litros de leite por dia. Agora é paleo, antes era Atkins…
  28. Foi encontrada uma planta com um ingrediente secreto que promove resultados extraordinários que os atletas e experts não querem contar. Serão as cetonas de framboesa? 🙂
  29. Definido todo o ano. Se tivesses a percentagem de gordura daquele culturista de competição, ou do modelo que tirou as fotos para a revista, não aguentavas nem uma semana. É um estado temporário, muito agressivo e tóxico para o corpo humano.
  30. Um novo sistema de treino que nunca ninguém viu (sempre suportado por estudos científicos que poucos conhecem). 

Enfim, todo um conjunto de ideias com mensagens poderosas que levam muita gente a perder-se e a gastar o seu dinheiro nesta poderosa e mágica indústria do fitness. Já vem do tempo do Sandow e do Sanitarium de Battlecreek.

Personal Trainer – As 11 Estratégias Top Para o Sucesso

Reunimos neste pequeno texto algumas estratégias que sempre funcionaram independentemente dos ambientes, das pessoas e dos locais onde operamos ao longo destes 30 anos, durante milhares de horas, com milhares de pessoas diferentes.

1. Foco

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Vivemos hoje uma época de distracção. Solicitamos concentração, mas estamos muito treinados na distracção. O crossfit veio contribuir para maior ênfase em variedade, mas é impossível sermos bons em tudo. Por isso, a primeira grande ideia é focarmos a nossa atenção numa coisa de cada vez. Esse é o mesmo conselho para quem quer ser bom no crossfit: passar uns meses dando prioridade a um movimento, depois outra temporada a outro e assim sucessivamente. Dessa forma, se seleccionar bem os movimentos que aparecem na maioria dos WODs, será sempre mais bem sucedido do que aqueles que procuram progredir ao mesmo ritmo em tudo.

O personal trainer é um treinador gourmet. Deveria ser um profissional com boa formação e muita experiência, para poder fazer um fato à medida como faz o alfaiate ou criar pratos únicos e saborosos como um bom chef de cozinha. Para tal, tem de focar a sua atenção numa pessoa só. Toda a atenção. Se tiver 2 clientes em simultâneo está com um pequeno grupo, não é treino personalizado.

O personal trainer não é especialista em boxe, massagem, mobilidade, força, ginástica… Pode ter bons fundamentos em diversas áreas, mas haverá sempre uma base de trabalho.

Pessoalmente, considero que a minha especialidade é conseguir integrar bem as várias áreas do conhecimento como marketing, psicologia, sociologia e biologia durante um treino com uma pessoa. Por ter nascido como treinador no campo de futebol, crescido no ginásio, piscina e em escolas portuguesas, a experiência obtida nesses ambientes, é obviamente uma base de intervenção no meu trabalho. Suportado pela formação académica em educação física, gestão desportiva e psicologia, não esperem que eu invente nos meus treinos com artes marciais, dança ou brincadeiras com bolinhas e elásticos 🙂

2. Disciplina + Método + Controlo

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Existem 3 grandes razões pelas quais as pessoas necessitam ajuda de um coach, de um explicador, de um tutor, de um treinador:

a) Falta de auto-disciplina. A capacidade de cumprir uma rotina, um plano, de treinar quando está mais cansado, quando faz sol ou faz chuva.

b) Falta-lhes um método adequado para as suas necessidades. Quando temos 16 anos e vivemos em casa dos pais, quando andamos cheios de entusiasmo por sermos iniciados e temos 2h por dia para treinar, acabamos por usar todo esse tempo. Mas quando começamos a trabalhar, quando temos filhos e vida familiar intensa, a disponibilidade física, mental e temporal é diferente. O método usado para treinar 2h por dia já não serve. Embora as leis naturais sejam as mesmas, embora os princípios de treino se apliquem em ambos os casos, a realidade é bem diferente. É possível evoluir com 3 treinos por semana de 1h, mas o indivíduo que só sabe treinar com 2h por dia em 6 dias por semana, acaba por abandonar muitas das vezes por não poder aplicar o único método que conhece.

c) Por último, as pessoas não têm auto-controlo. É aí que entra o registo de treino, é ai que entram as aplicações de telemóvel, os diversos gadgets de punho, ou os anéis de controlo de atividade que procuram ajudar a criar disciplina e controlo.

3. Técnica => Intensidade => Endurance

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Um dos problemas da popularidade das corridas, dos trails ou do crossfit, é a falta de progressão e o excesso de volume numa fase precoce. Se mal dominamos a técnica e procuramos colocar demasiada intensidade e volume, arriscamos lesão. Enquanto não dominamos a técnica, não podemos colocar essa técnica sob stress (ex: efetuar muitas repetições em pouco tempo ou efetuar a técnica mal dominada no mínimo de tempo possível). Quem tem melhor técnica gasta menos energia. Isso é fácil de verificar na natação. Se eu dominar a técnica e procurar executar sob stress, consigo manter um padrão de movimento que respeite a física e a anatomia e assim, poder perdurar no tempo (endurance).

4. Física + Anatomia + Princípios do Treino

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As metodologias de treino podem ser muito diferentes, mas se não respeitarmos as leis da física, será tudo mais difícil de executar e arriscamos rapidamente lesão. Imaginem no agachamento, no press e no peso morto, uma barra que não está alinhada com o meio do pé. Dificulta imenso o exercício e obriga a tensões em pontos do corpo que não estão preparados para tal. O desrespeito pelas funções musculares e articulares, também leva a invenções de exercícios, técnicas que obrigam a um esforço inadequado de músculos que supostamente não deveriam ser os principais mobilizadores do movimento, desconforto generalizado e lesões muito comuns nas desproporções de trabalho parte superior com parte inferior do corpo, músculos de empurrar e músculos de puxar, etc.

Se me pedirem para verificar se o plano de treino B está bem feito, a primeira coisa que vou fazer é certificar-me que respeita as leis naturais do treino. Aliás, os princípios do treino deveriam ser aprendidos na prática por todos os clientes: sobrecarga, ação retardada e reversibilidade são muito desrespeitados pelos profissionais na criação de rotinas de exercícios.

5. Stress + Recuperação + Adaptação

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Treinar é sair da zona de conforto, é fazer algo ao qual não estamos habituados. Aplicamos assim um estímulo. Se deixarmos que o corpo recupere, este poderá produzir mudanças para se adaptar às novas exigências impostas por esse estímulo. Se treinarmos com demasiada frequência e não deixarmos os corpo recuperar, não haverá mudança positiva. Muitas metodologias de treino baseadas em grandes volumes e grande variedade de exercícios, não permitem uma recuperação adequada, gerando por vezes retrocesso, doença, overtraining, que são de certa forma, adaptações indesejáveis.

6. Seres bio+psico+sociais

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Uma pessoa quando treina, não é só um ser físico, mas cada vez mais assim é tratado pelos profissionais da atividade física: como se fosse um conjunto de interações bioquímicas condicionadas pela sua genética. Mas os fatores ambientais são responsáveis por mais de 70% daquilo que é o indivíduo. O estado de humor, o comportamento, a personalidade e os aspectos que conhecemos como psicológicos, têm de ser tidos em conta na hora de treinar pessoas. Por isso uma sequência de repetições 10-9-8…+1 funciona melhor com uma pessoa com perfil de afastamento. A cultura geral e desportiva, os factores familiares e socio-económicos, também condicionam a elaboração de um programa de treino, porque o ser humano é um ser social e as suas interações com outros indivíduos alteram positiva ou negativamente o seu estado. Esta abordagem bio-psico-social, tem vindo a ser cada vez mais utilizada na medicina também (felizmente). 

Muitos programas de treino esquecem que as pessoas fazem parte de um mundo real, não de um mundo utópico em que vivemos para treinar. As pessoas têm filhos, emprego exigente, deslocações, situações que não controlam (stress), dificuldade em preparar refeições e conseguir tempo de treino diário em slots exagerados de horas e horas como se fossem profissionais.

7. Coisas simples muito bem feitas com emoção

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Como em tudo na vida, são as coisas simples, muito bem feitas, de forma consistente que nos levam ao êxito. São os movimentos básicos repetidos de forma impecável e progressiva que nos levam de iniciados a intermédios ou avançados. Não são os exercícios de detalhe, os movimentos de reabilitação aplicados em pessoas saudáveis que  lhes vão melhorar significativamente o seu estilo de vida, a sua performance desportiva ou criar o bem-estar que procuram. Se aos movimentos básicos adicionarmos progressão e começarmos a gostar daquilo que fazemos, então o êxito está mesmo garantido e a sobrevivência assegurada.

8. Rapport + Comunicação VAKOG no aquário

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Muito antes de conseguirmos comandar, de acharmos que vamos impôr determinados exercícios ou um conjunto de repetições, temos de estabelecer rapport com um cliente, encontrar pontos comuns e definir uma base de comunicação visual, auditiva, cinestésico e olfativa para ajudarmos a pessoa a ir do seu estado atual para o estado desejado. Tudo isto, conscientes de que atuamos numa área de serviços, na qual se vendem “atos humanos” e onde estamos permanentemente sob observação de outros clientes e de outros profissionais. Aqui não há treinos à porta fechada, a não ser no domicílio dos clientes (situação que só recomendo em circunstâncias muito especiais e de preferencia se eles tiverem um espaço próprio de treino).

8. Força é a base

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A força é a capacidade base de todas as outras capacidades que conhecemos por velocidade, resistência, equilíbrio e agilidade. Mesmo a capacidade de coordenar várias ações motoras irá depender de algum nível de força. Podemos dizer que, se queremos carregar um camião com 50 fardos de palha, temos de ter força para carregar um fardo de palha. Sem isso não conseguimos completar a tarefa. Se queremos equilibrar-nos em cima de uma plataforma instável, temos de ter força para nos segurarmos numa plataforma estável. Por isso, é importante não colocar uma pessoa em cima de um situação instável; não colocar ninguém a saltar para cima de uma caixa antes de ser capaz de fazer 40 ou 50 agachamentos, correr à máxima velocidade (sprint) antes de ser capaz de fazer corrida lenta durante alguns minutos; agachar com barra antes de ser capaz de agachar em amplitude total com o seu peso corporal; de fazer “pino” antes de ser capaz de fazer 5-10 flexões de braços; fazer kipping toes to bar ou pullups antes de ser capaz de ficar suspensa cerca de um minuto na barra; fazer snatch antes de fazer overhead e peso morto com boa técnica e nível de força próximo do seu peso corporal, etc, etc, etc. Qualquer programa de treino de jovens ou idosos, terá como base o treino de força. Por isso, quando não vemos agachamento, press, peso morto, elevações ou uma progressão destes movimentos básicos, será difícil e arriscado efetuar com segurança outro tipo de movimentos que exijam mais coordenação ou velocidade.

10. Mudar estados – mudar hábitos

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Para resolver problemas, temos de mudar o estado em que abordamos o problema. Perder peso, melhorar, saúde, melhorar condição física, ter mais energia, diminuir stress, tudo implica mudar estados. E mudar estado do professor pode influenciar a mudança de estado no aluno. Mudamos estados, mudando o nosso foco, pensando noutra coisa, mudando a forma como representamos a realidade na nossa mente em termos de sons, imagens e sensações. Mudamos estados, mudando a forma como nos movimentamos, a forma como respiramos, a nossa postura, a nossa expressão. Para ajudar a mudar o comportamento de uma pessoa, o primeiro a mudar somos nós.

Reconhecemos que todos querem um processo rápido de mudança física e mental, por isso a indústria do fitness investe milhões em dispositivos e dietas milagrosas, para ir de encontro às necessidades dos clientes ou para criar necessidades não existentes nesses mesmos clientes. Basta ver a parafernália de acessórios que as pessoas levam para um treino no qual a sua demonstração de força ou condição física geral é medíocre.

Tudo o que se contrói rápido, destrói-se depressa. Processos rápidos e drásticos de perda de peso, rotinas de treino militares aplicadas a sedentários, muita imposição e uma permanente e violenta saída da zona de conforto, não costumam criar mudanças a longo prazo. Mudar hábitos, sempre foi a solução. A ciência diz-nos que podemos tardar entre 21 a 128 dias a alterar um hábito. Daí que seja necessário focarmos-nos num hábito que tenha grande impacto nas nossas vidas e trabalhar essa questão, em vez de tentar tudo ao mesmo tempo.

11. Progresso = Sucesso = Felicidade

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Progresso é o objetivo do treino. Por isso é mais fácil ter êxito numa atividade em que haja uma forma fácil de mensurar o progresso em termos de tempo, carga ou distância. Daí a procura da balança como forma de medir progresso nas pessoas que pretendem ser mais magras.

Progresso significa aplicar o já mencionado princípio de sobrecarga ou da intensidade. A pessoa que pega em mais peso é sempre maior e mais forte. Será muito difícil medir progresso no trabalho complexo com elásticos, nas aulas onde a confusão entre a preocupação coreográfica e a aplicação dos princípios de treino é evidente.

Embora a felicidade deva ser algo interior, sabemos que está intimamente ligada ao sucesso, ao auto-conhecimento, à perceção de sermos capazes de fazer algo, de resolver um problema ou vencer um obstáculo. Daí que progresso, sucesso e felicidade, estejam interligados.

As vendas são naturais quando o serviço é bom. Se os clientes estiverem satisfeitos, eles vão recomendar. Reparem que os negócios bem sucedidos fazem pouca publicidade (não necessitam dizer: “-Eu sou bom!”).

Bons treinos!