Primeiro Programa de Treino de Musculação – Template

Embora não seja o ideal, uma forma de criar regularidade no exercício físico em ginásio, com pouca supervisão e fazer passar muitas pessoas com resultados pela sala de musculação, é criar programas de treino generalistas, consistindo em 3 partes:

  1. 20 minutos de endurance (mais conhecido como cárdio);
  2. 30 minutos de musculação essencialmente em máquinas;
  3. 10 minutos de retorno à calma.

Endurance, Cárdio, Metabólico…

Intensidade recomendada para pessoas aparentemente saudáveis: 60-90% da Frequência Cardíaca Máxima (220-idade).

Dentro desta zona alvo de treino tão ampla, temos de criar uma zona mais pequena, adequando à triagem efectuada. Ao longo dos meses de treino, iremos conhecer melhor as particularidades do aluno: tolerância ao esforço, proporções corporais, desequilíbrios musculares, perfil de afastamento ou de aproximação, tipo de comunicação, cultura geral e cultura desportiva, motivações reais para a prática e outras situações que uma pessoa no primeiro encontro nunca vos revelará, mas que condicionam imenso a abordagem ao aluno, a progressão e programação de treino.

Musculação, Treino de força…

6-12 exercícios

1-2 séries

Intensidade: 10-12 Repetições Máximas

Exemplo 1

  1. Abdutora
  2. Adutora
  3. Extensora do joelho
  4. Prensa
  5. Flexora do joelho
  6. Prensa
  7. Máquina elevações laterais
  8. Press de ombros
  9. Puxador dorsal
  10. Remo sentado
  11. Máquina de bíceps
  12. Abdominal

Exemplo 2

  1. Leg press 2×8-12
  2. Press em máquina 2×812
  3. Puxador dorsal 2×8-12
  4. Remo sentado 2×8-12
  5. Prensa de peito 2×8-12
  6. Abdominal 2xN

Nota:

Importante efectuar os movimentos em amplitude total.

Efectuar 1 série até à falha muscular (que irá depender da tolerância ao esforço do indivíduo e será na maioria dos casos volitiva e não real).

Transitar de máquina para máquina com descanso inferior a 2’.

Mal a pessoa consiga efectuar 12 repetições, aumentar a carga ligeiramente na sessão seguinte.

Retorno à calma

  • Alongamentos estáticos suaves
  • Massagem com fitball
  • Caminhar e descontrair
  • Respirações profundas
  • Meditação
  • Outra situação: caminhar até ao balneário e socializar 🙂

Registar (controlo de treino):

  • Data
  • Duração total do treino
  • Cada série de exercício com respectivas repetições e peso utilizado
  • Tempo, distância, velocidade ou nível, frequência cardíaca máxima

Pressupostos

Um sistema de marcações para as primeiras sessões (3 a 4 treinos) é como oferecer sessões de treino semi-personalizadas, aumentando probabilidade de vendas futuras de personal training, incrementando o rapport e uma comunicação mais personalizada, permitindo conhecer melhor os alunos, gerando mais autonomia e consolidando as técnicas de exercício. Desta forma, podemos marcar a diferença na actual indústria do fitness e após alguns meses, os alunos vão compreender perfeitamente os princípios de treino (sobretudo o princípio de sobrecarga) bem como a teoria da adaptação de Selye na prática.

Como criar marcações para as primeiras sessões de treino

Treino 1

Marcação de 30min com um professor para um aluno ou no máximo 2 alunos.

Triagem mais exercício de endurance.

Treino 2

O aluno faz de forma já autónoma a parte de endurance e na hora de marcação, o professor ensina metade do programa de musculação, incluindo questões técnicas, pequenas dicas de alimentação e repouso, comprometendo o aluno para que volte.

Treino 3

Idêntico ao anterior, mas o professor ensina o resto da rotina de exercício e efectua uma revisão técnica.

Após estas sessões de marcação, deverá o aluno registar os treinos e o professor que estiver em sala, fará o chamado carrossel, dando um minuto de atenção a cada cliente, focando-se essencialmente:

  • Rapport
  • Educar
  • Técnica
  • Amplitude de movimento
  • Intensidade (reduzindo descansos excessivos, fazendo cumprir a amplitude de movimento e aplicando o princípio de sobrecarga).

Se o aluno efetuar 2-3 treinos por semana, podemos alterar um pouco a rotina em termos de intensidade de 2 em 2 meses e posteriormente podemos pensar em criar rotinas mais personalizadas. Recordemos que a barreira dos 6 meses terá de ser ultrapassada para aumentar a probabilidade de continuidade do aluno. Para tal, é fundamental uma frequência semanal de 2-3 vezes por semana. Este é o grande desafio porque a maioria dos ginásios tem uma média de frequência semanal de 0,8 a 1,5 vezes por semana. Isso condiciona o número de iterações com os monitores e o número de estímulos físicos.

A chave para obter resultados passa pelo respeito da anatomia, da física e dos princípios de treino na aplicação do stress (estímulo) para depois ocorrerem as adaptações se deixarmos que o corpo recupere.

Bons treinos!

Se fosse fácil a vida no fitness…

Em Portugal temos cerca de 5 milhões de pessoas no ativo, ou seja, metade da população que trabalha para a outra metade do país: reformados que já deram o seu contributo, desempregados que passam tempos difíceis e jovens que ainda estão dependentes de seus pais.

Nos ginásios não sabemos bem o que se passa em termos estatísticos, mas, embora contraditórios, os números deixam transparecer que o mercado não cresce como os operadores gostariam.

Em 2007 a Marktest referia que 1,5 milhões utilizavam ginásios. Em 2013, cerca de 1,2 milhões. Em 2016 a Markest falava em 1,3 milhões. A AGAP, refere cerca de 540mil portugueses utilizam ginásios.

Quem anda nesta área de trabalho há algumas décadas, já percebeu que: para além dos problemas gerais da adesão ao exercício físico, os ginásios são uma poderosa indústria que complica o processo com muita informação e intervenção de todo o tipo de agentes que procuram obter lucro com os problemas do ser humano que procura no exercício físico uma ajuda para melhorar a sua vida.

Trabalhar como empresário, professor de aulas de grupo, musculação ou personal trainer, nesta área do fitness, não é um mar de rosas.

Se fosse fácil ser disciplinado, ninguém precisava de um treinador.

Se fosse fácil levar a cabo um método de treino simples e eficaz, também não precisávamos de ajuda.

Se fosse fácil o mercado do fitness crescia de forma sólida.

Se fosse fácil, as taxas de abandono dos ginásios não oscilavam os 40 a 60%.

Se fosse fácil, as médias de frequência semanal dos sócios não andavam entre 0,8 a 1,7 vezes.

Se fosse fácil, ninguém precisava de ajuda.

Se fosse fácil, a toma de anabolizantes diminuía.

Se fosse fácil os vendedores de suplementos, gadgets e geringonças, estavam desgraçados nas vendas, mas vão de vento em popa.

Se fosse fácil, as mais de 30 licenciaturas em educação física e desporto teriam mais foco nas atividades de ginásio.

Se fosse fácil, as cerca de 15 pós-graduações, mestrados e doutoramentos dedicados ao “alto-rendimento”, conseguiriam certamente aumentar esta lista de atletas.

Se fosse fácil, teríamos muitos instrutores e personal trainers com mais de 10 anos de atividade no ramo.

Se o mercado português fosse assim tão interessante, teríamos grandes representações dos maiores fabricantes mundiais de equipamentos.

Se o mercado português fosse tão interessante, os maiores operadores mundiais como LA Fitness, ou europeus como Virgin-Active, estariam por cá.

Se fosse fácil, o IVA dos ginásios mantinha-se nos 5% como em 2008 (já lá vão 10 anos). Infelizmente como não se repercutiu nos preços, voltamos aos 23%.

Os ginásios podem ajudar pessoas a mudar o seu estilo de vida e a obterem os benefícios biológicos, sociais e psicológicos associados à prática regular. Mas será que os ginásios vendem benefícios?

Para todos os treinadores, que gostam de ajudar pessoas, trabalhar no fitness é um desafio exigente do ponto de vista físico e mental. Liderança e comunicação são necessários para o sucesso porque…

O normal é ter pessoas (clientes) desmotivadas, com baixa auto-estima, com uma boa dose de preguiça, que reclamam, que dormem pouco, que comem mal, que sofrem de elevados níveis de stress e que fogem à dor. Nem necessitamos testar os níveis de condição física para saber que a população não melhorou ou para saber que partimos do zero quando começamos um processo de treino no ginásio. Quem tiver dúvidas que venha ver o que se passa com a condição apresentada pelos jovens nas escolas de Portugal. Se fosse fácil…

A melhoria é possível, mas…

Passa sempre pela consistência, pela credibilidade e pelo foco nas pessoas. No final, se os resultados produzidos a bem da população forem positivamente evidentes, não haverá político que resista à sedução da indústria do fitness.

Bons treinos!

Progressão de Carreira Para Um Personal Trainer

Para criar uma boa base de trabalho e conhecimento técnico a fim de ser um bom Personal Trainer – PT, recomenda-se que ganhem experiência inicial como instrutor de aulas de grupo, crossfit ou preferencialmente como instrutor de sala de musculação. Antes de escolheres este caminho difícil de liderar pessoas, deverias responder a questões como estas:

Quero ser personal trainer porque (razões que te movem)?

Quando eu deixar de ser personal trainer, eu gostaria de ser…

Ser personal trainer em que é que te ajudaria na atualidade?

Como pode a função de personal trainer ajudar-te no teu futuro?

Que habilidades interpessoais achas que deverias trabalhar?

Um percurso sólido para criares uma carreira como personal trainer, seria:

1. Iniciar como instrutor de sala 

Efetuar triagens de clientes, criar programas de treino iniciais, controlar técnicas de exercícios e intensidades, acompanhar o treino em sala efetuando o famoso carrossel (dar um pouco de atenção a todos os clientes), criar rapport e motivar os clientes, liderar a sala, colocar em ação a sua estratégia de marketing pessoal, utilizar o espaço na sala e cuidar de se posicionar em relação aos alunos, comunicar de forma verbal e não verbal adequadamente, treinar habilidades para uma comunicação de proximidade equilibrada  não invasiva e criar dinâmicas de grupos para gerar condições de fidelização. Recomenda-se uma formação prévia na área do exercício físico e saúde. Diria no mínimo 1500h de formação e pelo menos 500h dessas de estágio profissional como profissional do fitness, preferencialmente em sala de musculação porque permite muita interação individual com diversos tipos de clientes.

2. Aprendiz de personal trainer

Mais de 300h de sombra a personal trainers experientes com consentimento dos clientes. Após esse período, deveria passar cerca de 400h com casos de clientes mais generalistas, progredindo para clientes dentro da sua área de pretensa especialização.

3. Personal trainer

Findo esse tempo de formação inicial, já com uma definição mais clara da sua identidade como profissional e orientado para o público-alvo para o qual tem mais vocação e motivação, o personal trainer, terá agora melhores condições para um desempenho de sucesso.

Durante todo o processo de formação, recomenda-se o estudo destes 10 manuais:

ACSM [American College of Sports Medicine] (2017) Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 10th Edition. Lippincott Williams & Wilkins.

Bandler, R., Alessio, R. e Fitzpatrick, O. (2013). The ultimate introduction to NLP: how to build a successful life. London: HarperCollins Publishers

Godin, Seth (2008). Tribos. Lisboa: Lua de Papel.

Godin, Seth (2011). Como se tornar indispensável. Lisboa: Lua de Papel.

Marieb, E. (2011). Essentials of Human Anatomy & Physiology, 10th Ed. San Francisco: Pearson.

Peters, T. (1999). Brand You 50: reinventing work. Knopf.

Rippetoe, M. (2011). Starting Strength: Basic Barbell Training, 3rd edition. Wichita Falls: Aasgaard Company.

Rippetoe, M. & Baker, A. (2014). Practical Programming for Strength Training. Wichita Falls: Aasgaard Company.

Sinek, S. (2017). Find your why. New York: Portfolio.

Sullivan, J.M. & Baker, A. (2016). The Barbell Prescription: Strength Training for Life After 40. Wichita Falls: Aasgaard Company.

Recordemos que o serviço de personal training é um serviço gourmet dos ginásios, logo, deverá ser levado à prática por profissionais com elevado nível de formação e experiência. Diz-se que para ser especialista numa função, necessitamos cerca de 10.000h de prática. Se queres ser bom e destacar-te da média e da mediocridade, há um caminho a percorrer.