Ações Fundamentais do Coach

Calibrar

Reconhecer o estado da outra pessoa através da leitura dos sinais não verbais: respiração, expressões, pequenos movimentos pelos quais percebemos o estado do outro. É importante treinar esta competência para que as sessões de coaching sejam bem sucedidas. Uma das formas de o fazer é usar o vídeo. Por exemplo: observar uma entrevista, retirar o som e procurar ler os lábios dos entrevistados, perceber os momentos de viragem em termos de emoções, apenas fazendo a leitura dos gestos das pessoas intervenientes. Também podemos pedir a um amiga ou namorada para olhar para nós e pensar numa pessoa que elas não gostem e a partir daí observar a sua linguagem corporal. Depois podemos pedir para que ela pense em algo contrário e observamos as diferenças. Finalmente pedimos que ela pense alternadamente numa pessoa que goste e numa que não goste para nós testarmos se distinguimos as reações corporais de acordo com o pensamento dela.

Sem atribuir nenhum significado a estes sinais (porque eles podem ser realizados por diferentes pessoas expressando emoções diferentes), procuramos padrões de micro-expressões do próprio indivíduo, para perceber o seu estado e a forma como ele vai mudando a sua expressão corporal no decorrer da conversa. Exemplos:

  • Padrão/ritmo de piscar os olhos.
  • Mudanças de posição da cabeça.
  • Ritmo/padrão da respiração.
  • Frequência cardíaca (podemos observar olhando para o pescoço).
  • Padrões de circulação facial.
  • Dilatação/contração das pupilas.
  • Movimento das narinas.
  • Movimento do lábio superior.
  • Morder lábios.
  • Movimento das sobrancelhas.
  • Dedos na face.
  • Posição das mãos.
  • Inclinação do corpo.
  • Tensão na parte superior do corpo.
  • A posição dos ombros.
  • Piscar ao responder.
  • Tonalidades da voz que mudam durante a resposta às perguntas.
  • Tempo de processamento das respostas.

Criar Rapport

Queremos estabelecer uma relação de confiança, um bom ambiente para que o cliente se expresse, para que haja entendimento. Criar sintonia ao nível inconsciente, como se coach e coachee já se conhecessem há muito tempo. Criar uma situação de harmonia sem fazer de mimo. Algumas formas de o fazer:

  • identificar pontos comuns com o cliente (exemplo: se sabemos que a pessoa efetuou uma cirurgia à coluna e nós também, usamos esse facto em conversa, porque ela vai sentir que sabemos quais as sensações pelas quais passou);
  • tom de voz idêntico ao do cliente;
  • velocidade de movimentos em sintonia com ele;
  • gestos;
  • respiração (é uma das formas mais poderosas de criar rapport);
  • expressão facial;
  • matching (uma forma de criar rapport: se a pessoa estende o braço esquerdo, nós fazemos o mesmo com o direito ou com outra parte do corpo; de forma natural e impercetível, é claro);
  • mirroring (o coach espelha alguns gestos, postura, respiração, expressões faciais do cliente com o cuidado de ser gradual para a pessoa não sentir que está a ser gozada ou algo do género; naturalidade é a chave).

Outras Competências do Coach

Escuta ativamente, sabe colocar-se na posição de outra pessoa e ver o mundo pela sua “janela” (empatia), foca-se no cliente em vez de estar centrado nos seus próprios interesses, comunica bem com o seu corpo, é uma pessoa com atitude positiva, toma notas, usa o silêncio adequadamente como uma ferramenta de comunicação, evita juízos de valor e rótulos, faz resumos da conversa regularmente.

O que é o coaching?

Imagine uma nova história para a sua vida e acredite nela.

Paulo Coelho

 

O Que é o Coaching?

black-and-white-sport-fight-boxer.jpgEnquanto o formador centra a ação e conhecimento em si próprio, o coach centra-se nos alunos, nos formandos, nos atletas, considerando que as soluções estão neles próprios. O coach faz essencialmente perguntas, procura inspirar, procura ajudar o coachee a encontrar as respostas, não dá as respostas. Coaching é: confiar que as pessoas descubram as suas próprias soluções; fazer perguntas em vez de dar instruções; visualizar resultados de sucesso; apreciar o valor de cada momento. Porque… Como se costuma dizer: – O caminho é a meta!

Coaching é o processo de apoiar um indivíduo na mudança, no que ele quiser e como pretender fazê-lo. Ajudar a clarificar objetivos, identificar recursos e desenvolver um plano de ação. Ajudar o cliente a ir do ponto A ao ponto B. – Mas para que necessito um coach? Eu tenho pernas para andar, sei o que quero… Em termos empresariais, verifica-se que as empresas contratam um coach a) pela sua experiência em ambientes similares, b) metodologia clara e c) qualidade da lista de clientes (Coutu e Kauffman, 2009). Sobre as razões para contratar um coach, O’Connor e Lages (2007), referem que: a) por vezes as pessoas têm a informação que necessitam, mas não sabem o que fazer, que comportamento adotar, por isso necessitam formular um plano de ação com o coach; b) outras vezes têm a informação e sabem o que fazer, mas não têm a técnica, por isso necessitam aprender os skills; c) também pode acontecer terem o skill, a informação e saber o que fazer, mas não acreditam que seja possível ou acham que não é suficientemente importante para elas e neste caso, o cliente e o coach trabalham nas crenças e valores que podem estar a criar uma obstrução. Num inquérito da Harvard Business Review (Coutu e Kauffman, 2009), coaches de sucesso referiram que eram fundamentalmente contratados para facilitar transição / desenvolver grandes potenciais.

No desporto, com uma abordagem de coach, podemos ajudar o atleta a aumentar o seu potencial, a descobrir ferramentas que pode usar antes e durante a competição para atingir um estado ótimo para a performance, melhorar a relação treinador-atleta e reforçar cada vez mais que, os resultados obtidos, são efeitos dos pensamentos e ações do atleta. Esbatendo desta forma a dependência do ambiente que o rodeia.

Nos ginásios, as pessoas podem necessitar um coach por falta de: 1) auto – disciplina (ser regular na atividade física é fundamental para obter resultados; embora toda a gente saiba algo de teoria do exercício, têm dificuldades em aplicar e sobretudo manter a regularidade de estímulos); 2) método (o processo que usamos quando temos 17 anos e vivemos em casa dos pais, não pode ser o mesmo quando somos adultos com filhos e exigências profissionais; os princípios de treino são universais, mas a forma de os aplicar tem de ser adaptada às realidades); 3) auto-controlo (Quantas pessoas têm um registo de treino? Quantas sabem simplesmente a duração do seu último treino? O registo de treino pode ser uma das ferramentas que ajuda a manter o foco).

O coach foca-se no presente e no futuro, porque é sobre eles que podemos agir. O passado faz parte da história que pode inspirar ou condicionar de forma positiva ou negativa. Depende de como usamos esse passado, depende das histórias que contamos a nós próprios, mas sobre o passado já não podemos agir, enquanto que o presente e o futuro nós podemos ainda condicionar.

Esta parceria coach-coachee, baseia-se em respeito, confiança mútua e sigilo profissional. Um personal trainer que não conhece suficientemente bem o seu cliente, dificilmente conseguirá que este efetue um determinado número de repetições que levam esta pessoa a sair da zona de conforto, ou seja, a treinar. As imensas imagens e vídeos de clientes a treinar nas redes sociais, devem ser usadas com cuidado, pois, embora haja clientes que até gostam ou vivem mesmo de mediatismo e exposição pública, a grande maioria quer privacidade. O coaching parte do pressuposto que todos os seres humanos possuem todos os recursos que precisam internamente. O coach ajuda o coachee: a) a descobrir esses recursos; b) fixar e alcançar metas; c) realizar objetivos que sozinho teria dificuldades; d) ser mais objetivo e focado nos resultados; e) ter ferramentas, apoio e estrutura para conseguir mais da “roda da vida”. O coach realiza esse processos sem impor conteúdo, limitando-se a colocar questões poderosas e a colaborar na criação de um plano de ação. Por isso é mais difícil atuar como coach numa área em que nos cremos experts. No entanto, um treinador de um atleta ou mesmo de uma equipa, pode começar a incorporar o coaching de forma progressiva, deixando que os atletas encontrem soluções para alguns dos problemas do grupo, agindo como coach, partindo de um quadro em branco.

É um grande desafio para um personal trainer deixar de impor tanto conteúdo e passar a recolher mais informação do cliente, deixando que este encontre as soluções para os seus desafios de vida.

Bibliografia

Coutu, D. e Kauffman, C. (2009). What Can Coaches Do for You? Harvard Business Review, Jan. Disponível em: http://www.drfinney.com/media/1005/hbr_article-what-coaches-can-do-for-you.pdf

O´Connor, J. e Lages, A. (2007). How Coaching Works: The Essential Guide to the History and Practice of Effective Coaching. London: A & C Black.